11 setembro, 2017

Papa na Missa em Cartagena convida a dar o primeiro passo para a paz


(RV) Se a Colombia quer uma paz estável e duradoura, deve "urgentemente" dar um passo na direcção do "bem comum, da equidade, da justiça, do respeito pela natureza humana e suas exigências" – disse o Papa durante a Missa, na área portuária de Cartagena, com a participação de cerca de quinhentos mil fiéis.

Cartagena das Índias é a sede dos Direitos Humanos na Colombia e aqui, no Santuário de São Pedro Claver, iniciou o Papa, “a Palavra de Deus fala-nos de perdão, correcção, comunidade e oração”. Lembrando os diversos encontros que teve nos últimos dias com ex-guerrilheiros e vítimas da violência da guerra e de abusos, o Papa disse ter ouvido muitos testemunhos de pessoas que foram ao encontro de quem lhes fizera mal:

“Nestes dias, ouvi muitos testemunhos de pessoas que saíram ao encontro de quem lhes fizera mal. Feridas terríveis que pude contemplar nos seus próprios corpos, perdas irreparáveis pelas quais se continua a chorar, e contudo aquelas pessoas saíram, deram o primeiro passo num caminho diferente daqueles já percorridos”.

Há décadas, disse o Papa, que a Colômbia, tacteando, busca a paz e, como ensina Jesus, não foi suficiente que duas partes se encontrassem e dialogassem, foi necessário incorporar muitos mais actores neste diálogo reparador dos pecados.

«O autor principal, o sujeito histórico deste processo, é a gente e a sua cultura, não uma classe, um grupo, uma elite”, reiterou Francisco, citando o modelo de São Pedro Claver:  “São Pedro Claver soube restaurar a dignidade e a esperança de centenas de milhares de negros e escravos que chegavam em condições absolutamente desumanas, cheios de pavor, com todas as suas esperanças perdidas”, sublinhou o Pontífice.

Mas infelizmente, reconheceu Francisco, tem gente que persiste no seu mal:

“Não podemos negar que há pessoas que persistem em pecados que ferem a convivência e a comunidade: «Penso no drama dilacerante da droga com a qual se lucra desafiando leis morais e civis, na devastação dos recursos naturais e na poluição em curso, na tragédia da exploração do trabalho; penso nos tráficos ilícitos de dinheiro como também na especulação financeira lançando na pobreza milhões de homens e mulheres; penso na prostituição que diariamente ceifa vítimas inocentes, sobretudo entre os mais jovens, roubando-lhes o futuro”.

E com veemência Francisco condenou o abomínio do tráfico de seres humanos, os crimes e abusos contra menores, a escravidão que ainda espalha o seu horror em muitas partes do mundo, a tragédia frequentemente ignorada dos emigrantes sobre quem se especula indignamente na ilegalidade:

“Condeno firmemente aqueles que põem fim a tantas vidas", a acção de "homens sem escrúpulos"; não se pode brincar com a vida dos nossos irmãos nem manipular a sua dignidade”.

E Francisco lançou um apelo para se "pôr fim ao tráfico de drogas" que, disse, semeia "morte e destruição, quebrando tantas esperanças e destruindo tantas famílias".

“A história”, exortou o Papa, “pede-nos para assumirmos um compromisso definitivo na defesa dos direitos humanos. E Jesus pede-nos para rezarmos juntos: “que a nossa oração seja sinfónica, com matizes pessoais, acentuações diferentes, mas que se erga de maneira concorde num único grito”. E concluiu:

“Estou certo de que hoje rezamos juntos pelo resgate daqueles que erraram e não pela sua destruição, pela justiça e não pela vingança, pela reparação na verdade e não no seu esquecimento. Rezamos para cumprir o lema desta visita: «Demos o primeiro passo», e que este primeiro passo seja numa direcção comum”.

Dar o primeiro passo, disse Francisco a terminar, é sobretudo ir ao encontro dos outros com Cristo, que sempre nos pede para darmos um passo decidido e seguro rumo aos irmãos, renunciando à pretensão de sermos perdoados sem perdoar, de sermos amados sem amar. Jesus prometeu acompanhar-nos até ao fim dos tempos, Ele não deixará estéril um esforço tão grande” – concluiu o Papa.

(BS)

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