22 janeiro, 2017

O Senhor se revela a nós na quotidianidade - Papa no Angelus


(RV) Domingo 22 de Janeiro. Na sua reflexão antes da oração do ângelus da janela do Palácio Apostólico, o Papa Francisco falou da passagem do Evangelho que narra o início da pregação de Jesus na Galileia. Jesus deixa a aldeia montanhosa de Nazaré e estabelece-se em Cafarnaum, importante centro urbano nas margens do Lago, habitado essencialmente por pagãos e ponto de encruzamento entre o Mediterrâneo e a Mesopotâmia. A “Galileia das gentes” como era chamada.

Vista de Jerusalém a Galileia era considerada uma periferia, religiosamente impura. Dela não se esperavam grandes coisas para a história da salvação. Mas paradoxalmente, precisamente dali, da periferia, veio a luz de Cristo.

O Papa continuou dizendo que a mensagem de Jesus anuncia o Reino de Deus que não comporta a instauração de um novo poder político, mas a concretização da aliança entre Deus e o seu povo que dará inicio a uma estação de paz e justiça. Uma aliança que requer a conversão de cada um transformando o próprio modo de pensar e de viver -  a transformação do pensamento e dos costumes - insistiu Francisco, dizendo que a diferença entre Jesus e o profeta João Baptista  - que nos foi apresentado nos domingos anteriores - está no estilo e o no método.

Jesus opta por ser profeta itinerante. Não fica à espera das pessoas, mas vai ao seu encontro. As suas primeiras saídas missionárias  dão-se  ao longo das margens do lago da Galileia, em contacto com a multidão, de modo particular os pescadores”.

Ali Jesus proclama a vinda do Reino de Deus e procura companheiros para a sua missão de salvação. Ali encontra dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João. Convida-os a segui-lo, pois que “os fará pescadores de homens”
A chamada – sublinhou Francisco chega enquanto estão em plena actividade quotidiana, porque “o Senhor se revela a nós não de forma extraordinária ou estrondosa, mas na quotidianidade da nossa vida”.

É ali que devemos encontrar o Senhor, dialogar com Ele na nossa quotidianidade e mudar a nossa vida – acrescentou,  fazendo notar que a resposta dos quatro pescadores foi imediata e sem hesitação: abandonaram as redes e seguiram Jesus. 

Assim, nas margens do lago, numa terra impensável, nasceu a primeira comunidade de discípulos de Cristo. E nós cristãos, temos  hoje a alegria de proclamar e dar testemunho da nossa fé, graças àquele primeiro anúncio e àqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente  à chamada de Jesus – disse o Papa, com este desejo:

A consciência destes inícios suscite em nós o desejo de levar a palavra, o amor, a ternura de Jesus a todos os contextos, mesmo nas mais impérvias e refractárias. Levar a palavra a todas as periferias. Todos os espaços da vida humana são terrenos onde deitar a semente do Evangelho, a fim de que dê frutos de salvação”.

E terminou pedindo a Nossa Senhora que nos ajude, com a sua materna intercepção, a responder, com alegria, à chamada de Jesus a pormo-nos ao serviço do Reino de Deus.
 
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Depois da oração das Ave Marias, o Papa recordou que estamos a viver a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que este ano tem por tema um breve extracto da Carta de São Paulo aos Coríntios: “O amor de Cristo nos leva à reconciliação”.  Francisco anunciou que quarta-feira próxima, em conclusão da Semana de Oração, haverá uma celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora de Muros em Roma, com a participarão de todos os irmãos e irmãs das outras Igrejas e comunidades cristãs presentes em Roma. E convidou a rezar para que se concretize o desejo de Cristo “Que todos sejam um”.
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O Papa exprimiu mais uma vez a sua proximidade em relação às populações da Itália central, afectadas nos dias passados por mais um terramoto e por fortes caídas de neve, o que as submeteu mais uma vez a uma dura provação.

Estou próximo com a oração e com o afecto às famílias que tiveram vítimas entre os seus entes queridos. Encorajo aqueles que estão empenhados, com grande generosidade, nas obras de socorro e de assistência, assim como as igrejas locais que fazem de tudo para aliviar os sofrimentos e as dificuldades. Muito obrigada por esta proximidade e pelo vosso trabalho”.

E Francisco convidou a rezar uma Ave Maria pelas vítimas e pelos socorristas.  

O Papa recordou também que no Extremo Oriente, milhões de homens e mulheres se preparam para festejar no próximo dia 28 deste mês, a festa do fim do Ano Lunar. Enviou saudações e votos de que a alegria do amor possa difundir-se no seio de cada família e dali a toda a sociedade, esperando que haja respeito uns pelos outros, comunicação e o cuidar-se uns dos outros desinteressadamente.

Francisco concluiu o sua alocução dominical, saudando todos os fieis e peregrino reunidos na Praça de São Pedro para ouvir as suas palavras, referindo-se de modo particular a um grupo de meninas do Panamá [onde se vai realizar a próxima JMJ] e à União Católica de Professores, Dirigentes, Educadores e Formadores que estão a realizar o seus 25º Congresso, desejando que façam sempre um bom trabalho, sempre em colaboração com as famílias.

No final, despediu-se pedindo orações para ele. 

(DA)

21 janeiro, 2017

Anunciada a data da próxima Jornada Mundial da Juventude

 

(RV) Anunciada a data da próxima Jornada Mundial da Juventude. Será de 22 a 27 de Janeiro de 2019.

Será de 22 a 27 de Janeiro de 2019. O anúncio foi dado pelo arcebispo de Panamá, D. José Domingo Ulboa Medieta, numa conferência de imprensa. O prelado agradeceu ao Santo Padre por ter escolhido o Panamá para sede da JMJ 2019, que terá por tema “Eis aqui a servo do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavras”.

O arcebispo justificou depois a escolha do mês de Janeiro, dizendo que de entre os factores levados em consideração havia a questão climática. Nesse período é, de facto, Verão no Panamá, o que permite garantir as condições climáticas para a realização do evento mundial da juventude.

D. José Domingo Ulboa Medieta disse também ter consciência de que nalguns países não é período de férias, mas declarou-se convicto de que isto não será um impedimento para que milhares de jovens dos outros continentes possam ir ao Panamá encontrar-se com Nosso Senhor Jesus Cristo, sob a protecção da Virgem Maria, e com o Sucessor de Pedro.

Dirigindo-se directamente aos jovens de todos os continentes, o Prelado  disse saber que quando os jovens se propõem metas, e especialmente se estas têm a ver com sua fé, são criativos e se adaptam às realidades, para podê-las alcançar.

E concluiu dizendo que os esperam de braços abertos para compartilhar a fé, para se sentir Igreja, trazendo cada um a sua riqueza étnica e cultural nesta grande festa espiritual, onde – afirmou - “mostraremos ao mundo o rosto jovem de uma Igreja.

Católica em saída, disposta a fazer barulho para anunciar a alegria do Evangelho, aos distantes, aos excluídos, aos que se encontram nas periferias existenciais e geográficas”.

Por fim convidou a rezar e garantiu que trabalharão para que a Jornada Mundial da Juventude seja oportunidade de um renovado envio para a Igreja Católica e o mundo inteiro.

(DA)

Papa à Rota Romana: necessária formação antes e depois do matrimónio



(RV) O Papa Francisco recebeu em audiência, neste sábado (21/01), os Juízes, Funcionários, Advogados e Colaboradores do Tribunal da Rota Romana, para a inauguração do Ano Judicial. No seu discurso o Papa falou da relação entre fé e matrimónio e, em particular, das perspectivas de fé presentes no contexto humano e cultural em que se forma a intenção matrimonial. E, citando São JPII Francisco enfatizou que existe uma unidade profunda e indissolúvel entre o conhecimento da razão e da fé", de tal maneira que, quanto mais o ser humano se afasta da perspectiva da fé tanto mais ele se expõe ao risco de falhar, acabando por se encontrar na condição do “insensato”.

Também o Papa Bento XVI – prosseguiu o Papa - recordou que só quando nos abrimos à verdade de Deus podemos compreender e dar-nos conta, também na vida conjugal e familiar, da verdade do homem enquanto seu filho, regenerado pelo Baptismo, sublinhando a importância de aprofundar a relação entre amor e verdade:

“Se o amor não tem relação com a verdade, ele está sujeito à mudança dos sentimentos e não supera à prova do tempo. O amor verdadeiro, ao invés, unifica todos os elementos da nossa pessoa e se torna uma nova luz para uma vida grande e plena. Sem a verdade o amor não pode oferecer um vínculo sólido, não consegue levar o “eu” para além do seu isolamento, nem libertá-lo do instante fugaz para edificar a vida e dar frutos”.

Perante a mentalidade difusa em que a fé é enfraquecida e já não é critério interpretativo e operativo para a existência pessoal, familiar e social, Francisco propôs dois remédios: o primeiro, a formação dos jovens mediante um adequado caminho de preparação para redescobrir o matrimónio e a família segundo o plano de Deus. Trata-se de ajudar os futuros esposos a compreender e apreciar a graça, a beleza e a alegria do verdadeiro amor, salvado e redimido por Jesus, disse o Papa, reiterando que a comunidade cristã é chamada a anunciar cordialmente o Evangelho a estas pessoas, para que a sua experiência de amor se possa tornar um sacramento, sinal eficaz de salvação. E Francisco explica:

“É necessário, portanto, que os operadores e os organismos responsáveis pela pastoral familiar sejam animados por uma forte preocupação de tornar cada vez mais eficazes os itinerários de preparação ao sacramento do matrimónio, para o crescimento não apenas humano, mas sobretudo da fé dos noivos. E a finalidade fundamental dos encontros é de ajudar os noivos a realizar uma inserção progressiva no mistério de Cristo, na Igreja e com a Igreja”.

Daí, a necessidade de pessoas com competência específica e devidamente preparadas para tal serviço, numa oportuna sinergia entre sacerdotes e casais, disse ainda Francisco reiterando a necessidade de um "novo catecumenato", em preparação para o matrimónio para que tal preparação se torne parte integrante de todo o processo sacramental do matrimónio, o que servirá de antídoto para impedir a multiplicação de celebrações matrimoniais nulas ou inconsistentes.

O segundo remédio indicado por Francisco é ajudar os recém-casados a continuar o caminho na fé e na Igreja, mesmo depois da celebração do matrimónio. Será necessário – sublinha Francisco - identificar com coragem e criatividade, um projecto de formação para os jovens casais, com  iniciativas destinadas a aumentar a consciência do sacramento recebido. E a comunidade cristã é chamada a acolher, acompanhar e ajudar os jovens casais, oferecendo-lhes ocasiões e instrumentos adequados para cuidarem da sua vida espiritual, tanto na vida familiar, como na programação pastoral da paróquia ou nas agregações.

E Francisco exorta os párocos a serem cada vez mais conscientes da delicada tarefa que lhes é confiada na gestão do percurso sacramental do matrimónio dos futuros esposos, passando de uma visão puramente jurídica e formal da preparação dos futuros esposos, a uma fundação sacramental já a partir do início. “Isso vai exigir a contribuição generosa de cristãos adultos, homens e mulheres, que se coloquem ao lado do sacerdote na pastoral familiar para construir a "obra-prima da sociedade, a família, o homem e a mulher que se amam, o plano luminosos de Deus” – ressaltou o Papa.

Que o Espírito Santo assista e sustente a todos os que, sacerdotes leigos, se empenham e se empenharão neste campo para que nunca percam o impulso e a coragem de trabalhar para a beleza das famílias cristãs, apesar das insídias ruinosas da cultura dominante do efémero e do provisório.

Como tenho dito várias vezes, precisa muita coragem para se casar no tempo em que vivemos. E aqueles que têm a força e a alegria de fazer este passo importante devem sentir ao seu lado o afecto e a proximidade concreta da Igreja – concluiu Francisco.

JMJ do Panamá será de 22 a 27 de janeiro de 2019




(RV) O Arcebispo de Panamá, no Panamá, Dom José Domingo Ulloa Mendieta, anunciou em conferência de imprensa a data da Jornada Mundial da Juventude de 2019, que se realizará no país centro-americano.

Ao anunciar que a data escolhida é de 22 a 27 de janeiro, o prelado ressalta que para estabelecer a data foram consideradas muitas opções, prevalecendo, sem dúvida, as razões climáticas, acrescentando ainda que o período de verão permite garantir as condições climáticas da região para a realização do evento.

A seguir, propomos, na íntegra, o anúncio feito pelo Arcebispo de Panamá:

“Queremos reiterar a nossa gratidão ao Papa Francisco por ter escolhido o Panamá como sede da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2019, com o tema: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc. 1,38).

Para estabelecer a data da JMJ foram consideradas muitas opções; sem dúvida prevaleceram as razões climáticas. Temos consciência que em alguns países não é período de férias, mas estamos convencidos que isto não será impedimento para que milhares de jovens dos outros continentes possam vir ao Panamá para se encontrarem com Nosso Senhor Jesus Cristo, sob a protecção de Nossa Mãe a Virgem Maria, e com o Sucessor de Pedro.

A data escolhida é de 22 a 27 de janeiro de 2019, período de verão que permite garantir as condições climáticas da região para a realização deste evento mundial da juventude.

Jovens de todos os continentes, vós sois os protagonistas desta Jornada Mundial da Juventude. Sabemos que quando se propõem metas, e especialmente se estas têm a ver com a vossa fé, vós sois criativos e vos adaptais às realidades, para podê-las alcançar.

Nós vos esperamos no nosso país com o coração e os braços abertos para partilhar a nossa fé, para sentir-nos Igreja, trazendo cada um a sua riqueza étnica e cultural nesta grande festa espiritual, onde mostraremos ao mundo o rosto jovem de uma Igreja Católica em saída, disposta a fazer barulho para anunciar a alegria do Evangelho, aos distantes, aos excluídos, aos que se encontram nas periferias existenciais e geográficas.

Rezamos e trabalharemos para que a Jornada Mundial da Juventude seja oportunidade de um renovado envio para a Igreja Católica e o mundo inteiro.”

20 janeiro, 2017

“A santidade é a primeira opção sinodal de Lisboa”

O Cardeal-Patriarca de Lisboa anunciou a realização, em 2020, de “uma Assembleia Diocesana para avaliar a receção sinodal”. Na abertura da Visita Pastoral à Vigararia de Mafra, no dia 15 de janeiro, D. Manuel Clemente revelou ainda o programa pastoral para os próximos três anos na diocese.

“Rumo à santidade, através de uma iniciação cristã verdadeira, que seja vocacional e missionária, vivida em comunidade, nas duas dimensões da família e da sinodalidade”. É este o programa pastoral do Patriarcado de Lisboa para os anos pastorais 2017-2020 e foi anunciado pelo Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, durante o encontro de abertura da Visita Pastoral à Vigararia de Mafra. No auditório da Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, na Ericeira, no passado Domingo, dia 15, o Cardeal-Patriarca pediu aos membros dos Conselhos Pastorais e Económicos das 16 paróquias desta vigararia para tomarem “muito a sério a Constituição Sinodal de Lisboa”. “Com este documento, estamos a iniciar a terceira fase deste processo, que é a fase da receção: ou seja, como é que nas comunidades cristãs se recebe, se assimila e se executa aquilo que se refletiu, se decidiu e se propôs na constituição”, salientou.
Aos membros de todos os Conselhos Pastorais, “muito particularmente responsabilizados na receção e na execução da Constituição Sinodal”, D. Manuel Clemente anunciou ainda: “O Conselho Episcopal, os vigários gerais, os responsáveis pelo Secretariado de Ação Pastoral e o próprio secretário do Sínodo Diocesano, numa conjugação muito estreita com os 17 vigários da vara – que são os coordenadores da ação pastoral em cada vigararia –, vão levar por diante um caminho e uma dinâmica rumo à santidade, com todos os passos descritos na Constituição Sinodal de Lisboa que vão sendo sugeridos e praticados nas comunidades”. Este “trabalho conjunto”, como lhe chamou, “vai ter a sua avaliação, em 2020, numa Assembleia Diocesana para avaliar a receção sinodal”, revelou o Cardeal-Patriarca. “Tivemos três anos até fazer o Sínodo, do Sínodo saiu a constituição e agora temos três anos de aplicação destas linhas de força e de dinamismo até à Assembleia Diocesana que será, com certeza, mais alargada do que o Sínodo Diocesano”, concretizou.

Ser santos
A Visita Pastoral à Vigararia de Mafra, que se prolonga até dia 5 de março, acontece “em plena fase da receção sinodal em Lisboa”, frisou o Cardeal-Patriarca, lembrando os quase três anos de caminho sinodal que a diocese viveu e que se concluíram com a Assembleia Sinodal, em novembro e dezembro de 2016, no Turcifal, com a publicação da Constituição Sinodal de Lisboa. “O documento foi publicado no Jornal Voz da Verdade, foi editado em opúsculo [que está à venda na Livraria Nova Terra, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa] e está também disponível no site do Patriarcado [www.patriarcado-Lisboa.pt]. É, por isso, o documento mais acessível do mundo!”, gracejou D. Manuel Clemente. A constituição é iniciada, numa primeira parte, “por uma visão geral da sociedade, da Igreja, do mundo, da cultura, da economia”; na segunda parte “tem um conjunto de critérios para ajuizar dessa situação”; e a terceira parte “é mais indicativa de ações – não logo imediatas, porque isso tem de ser visto em cada comunidade – e de grandes linhas de ação para a vida diocesana”, resumiu o Cardeal-Patriarca. “A Constituição Sinodal de Lisboa conclui com sete rumos, linhas, opções, em que os membros do Sínodo procuraram coincidir com a própria Pessoa de Deus. Essas sete opções foram elencadas de maneira aleatória, exceto a primeira: a vocação à santidade. Aquilo que nós, na Igreja de Lisboa, optamos antes de mais é ser santos. É muito importante perceber isto! A Igreja existe no mundo para que os cristãos, e todos quantos adiram à nossa proposta evangelizadora, se tornem mais parecidos com Deus. Isto é que é a santidade! A santidade é a qualidade de Deus”, apontou D. Manuel Clemente, reforçando que “a santidade de Deus tem um rosto, uma figura, uma expressão e um significado: aquilo que em Jesus Cristo se revela”.
Este primeiro dia de Visita Pastoral à Vigararia de Mafra ficou marcado pelo convite à santidade. “A santidade é a primeira opção sinodal de Lisboa. As nossas comunidades cristãs – a começar pela primeira expressão comunitária que é a família cristã –, mas também a comunidade paroquial, os institutos seculares e religiosos, os movimentos, os grupos, tudo quanto seja expressão comunitária da vida da Igreja é escola de santidade, onde as pessoas aprendem a viver mais como Jesus vive para o Pai e o Pai vive para Jesus, uns com os outros, uns para os outros”, sublinhou o Cardeal-Patriarca, a propósito do primeiro dos sete desafios inscritos no ponto 70 da Constituição Sinodal de Lisboa.
  • Leia a reportagem completa na edição do dia 22 de janeiro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.



  • DATAS DAS VISITAS PASTORAIS ÀS PARÓQUIAS
15 a 22 janeiro: Ericeira e Carvoeira (D. Nuno Brás) e Igreja Nova (D. José Traquina)
24 a 29 janeiro: Malveira (D. Joaquim Mendes), Encarnação (D. Nuno Brás) e Cheleiros (D. José Traquina)
31 janeiro a 5 fevereiro: Venda do Pinheiro (D. Joaquim Mendes), Sobral da Abelheira (D. Nuno Brás) e Alcainça (D. José Traquina)
7 a 12 fevereiro: Azueira (D. Joaquim Mendes) e Gradil e Vila Franca do Rosário (D. Nuno Brás)
14 a 19 fevereiro: Enxara do Bispo (D. Joaquim Mendes), Milharado (D. Nuno Brás) e Santo Isidoro (D. José Traquina)
28 fevereiro a 5 março: Mafra (D. José Traquina)


  • ENCONTROS VICARIAIS POR SETORES DA PASTORAL
(com a presença do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente)
Cursilhistas: 20 de janeiro, às 21h15, na Igreja Nova
Liturgia: 27 de janeiro, às 21h15, na Malveira
Coletividades: 3 de fevereiro, às 21h15, no Sobral da Abelheira
Setor sociocaritativo: 10 de fevereiro, às 21h15, na Azueira
Catequese: 17 de fevereiro, às 21h15, no Milharado
Autarcas: 3 de março, às 21h15, em Mafra
Jovens: 4 de março, às 10h00, em Mafra
Encerramento da Visita Pastoral: 5 de março, às 16h30, Missa de encerramento, em Mafra


Patriarcado de Lisboa

Papa: cristãos devem superar mentalidade que sempre condena




(RV) Vencer a mentalidade egoísta dos doutores da lei, que condena sempre – advertiu o Papa Francisco durante a Missa na manhã desta sexta-feira (20/01), na Casa Santa Marta.

Inspirando-se na Primeira Leitura, extraída da Carta aos Hebreus, o Papa destacou que a nova aliança que Deus faz connosco em Jesus Cristo nos renova o coração e nos muda a mentalidade.

Deus renova tudo “na raiz, não somente na aparência”, disse o Papa, afirmando que esta nova aliança tem as suas características. A primeira: “a lei do Senhor não é um modo de agir externo”, entra no coração e “nos muda a mentalidade”. Na nova aliança, afirmou, “há uma mudança de mentalidade, há uma mudança de coração, uma mudança no sentir, no modo de agir”, “um modo diferente de ver as coisas”.

Superar e mentalidade egoísta

Francisco cita como exemplo uma obra à qual um arquitecto pode olhar com frieza, com inveja ou, pelo contrário, com uma atitude de alegria e “benevolência”:

“A nova aliança nos muda o coração e nos faz ver a lei do Senhor com este novo coração, com esta nova mente. Pensemos nos doutores da lei que perseguiam Jesus. Eles faziam tudo, tudo o que estava prescrito pela lei, tinham o direito em mãos, tudo, tudo, tudo. Mas a sua mentalidade era uma mentalidade distante de Deus. Era uma mentalidade egoísta, centrada sobre si mesmos: o coração deles era um coração que condenava, sempre condenando. A nova aliança nos muda o coração e nos muda a mente. Há uma mudança de mentalidade”.

Deus perdoa os nossos pecados, a nova aliança muda a nossa vida

O Senhor, acrescentou o Papa, vai avante e nos garante que perdoará as iniquidades e não se recordará mais dos nossos pecados. Às vezes, comentou, “gosto de pensar, brincando um pouco com Deus: “O Senhor não tem boa memória”... É a fraqueza de Deus, explicou, que, quando perdoa, esquece:

“Ele esquece porque perdoa. Diante de um coração arrependido, ele perdoa e esquece: ‘Eu esquecerei e não lembrarei dos seus pecados’. Este também é um convite a não levar o Senhor a lembrar dos pecados, ou seja, não pecar mais. O Senhor me perdoou, esqueceu, mas eu tenho uma dívida com o Senhor... mudança de vida. A Nova Aliança me renova e me faz mudar de vida; não mudar apenas a mentalidade e o coração, mas a vida. Logo, viver sem pecado, distante do pecado. Eis a verdadeira recriação do Senhor”.

Enfim, o Papa voltou a atenção ao terceiro ponto, a “mudança de pertença”. “Nós pertencemos a Deus, os outros deuses não existem”, “são loucuras”.

O Senhor muda o nosso coração para mudar a nossa mentalidade

“Mudança de mentalidade, mudança de coração, mudança de vida e mudança de pertença”. “Esta é a recriação que o Senhor faz melhor que a primeira criação”. “Peçamos ao Senhor para ir adiante nesta aliança de ser fiéis”, disse o Papa acrescentando:

“O sigilo desta aliança, desta fidelidade. Ser fiel a este trabalho que o Senhor faz para mudar a nossa mentalidade, mudar o nosso coração. Os profetas diziam: ‘O Senhor transformará o seu coração de pedra em coração de carne’. Mudar o coração, mudar a vida, não pecar mais ou não fazer o Senhor se lembrar do que já tinha se esquecido em relação aos nossos pecados de hoje e mudar de pertença: nunca pertencer à mundanidade, ao espírito do mundo, às coisas efémeras do mundo, mas somente ao Senhor”.

(BS/BF/MT/MJ)

19 janeiro, 2017

Francesco: Lutero queria renovar a Igreja, e não dividi-la


(RV) O Papa Francisco recebeu em audiência, na manhã desta quinta-feira (19/01) no Vaticano, uma delegação ecuménica da Finlândia, em peregrinação a Roma por ocasião da Festa de Santo Henrik e da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. No seu discurso, Francisco enfatizou antes de tudo o sentido do ecumenismo partindo da conversão:

“O verdadeiro ecumenismo, de facto, baseia-se na conversão comum a Jesus Cristo como nosso Senhor e Redentor. Se nos aproximarmos, juntos, d’Ele, também nos aproximaremos uns dos outros. Nestes dias invocamos mais intensamente o Espírito Santo para que desperte em nós esta conversão, que torna possível a reconciliação”

Nesta caminhada, continuou o Papa, católicos e luteranos, de vários países, juntamente com várias comunidades que partilham o caminho ecuménico, já percorreram uma etapa significativa quando, no passado dia 31 de outubro, nos reunimos em Lund, na Suécia, para comemorar o início da reforma com uma oração comum. Depois de cinquenta anos de diálogo ecuménico oficial entre católicos e luteranos, fomos capazes de expor claramente as perspectivas sobre as quais podemos hoje dizer que estamos de acordo, sublinhou Francisco, tendo acrescentando:

“Neste espírito, em Lund foi recordado que a intenção de Martin Lutero, há quinhentos anos atrás, era de renovar a Igreja, e não de dividi-la. Aquele encontro deu-nos a coragem e a força de olharmos para a frente, em nosso Senhor Jesus Cristo, para o caminho ecuménico que somos chamados a percorrer juntos”.

O diálogo teológico continua a ser essencial para a reconciliação e deve ser continuado com empenho constante – prosseguiu Francisco – pois assim chegaremos a ulteriores convergências sobre os conteúdos e nos poderemos aproximar cada vez mais da unidade plena e visível.  E rezo ao Senhor, sublinhou ainda  o Papa, para que acompanhe a Comissão de diálogo luterano-católica da Finlândia, que está trabalhando com dedicação para uma interpretação sacramental comum da Igreja, da Eucaristia e do ministério eclesial.
O ano de 2017 que comemora a Reforma é, portanto, para os católicos e luteranos, uma ocasião privilegiada para viver de maneira mais autêntica a fé, redescobrir juntos o Evangelho e testemunhar Cristo com zelo renovado, disse o Papa recordando ainda o encontro de Lundo:

“Na conclusão do dia de comemoração em Lund, olhando para o futuro, tirámos coragem do nosso testemunho comum de fé perante o mundo, quando nos empenhámos a apoiar juntos os que sofrem, os que estão em necessidade, os que estão expostos a perseguições e violência . Fazendo isto, como cristãos já não estamos divididos, mas unidos no caminho rumo à plena comunhão”.

E Francisco recordou também o centenário do Conselho Ecuménico Finlandês, um importante instrumento para promover a comunhão de fé e de vida no País, que também celebra, em 2017, os cem anos como Estado independente. “Que este aniversário encoraje todos os cristãos do vosso País a professar a fé no Senhor Jesus Cristo, como fez com grande zelo Santo Henrik,  testemunhando-a hoje diante do mundo e traduzindo-a também em gestos concretos de serviço, fraternidade e partilha, disse Francisco, que concluiu dirigindo-se ao bispo luterano de Turku, Kari Mäkinen:

“E, querido irmão bispo, eu lhe quero agradecer, pelo bom gosto de trazer os netinhos: precisamos da simplicidade das crianças, elas nos ensinarão o caminho que leva a Jesus Cristo. Obrigado, muito obrigado!”