18 fevereiro, 2017

TRANSFIGURAÇÃO

 
 
 
 
 Abro os olhos desmedidamente,
Senhor!

Quero ver-Te,
assim,
na Tua glória,
com as vestes,
que nenhuma lavadeira,
podia assim branquear!

Peço-Te,
Senhor,
sê Tu a lavadeira,
que branqueia o meu coração,
lavando-o,
no Teu amor.

Já Te vejo,
Senhor,
com o meu coração branqueado,
mais brilhante do que o Sol,
mais branco do que o luar,
porque fui lavado,
no sangue do teu amor.

Transfiguração,
Razão,
Fé,
Amor,
Tu,
Senhor,
enches,
o meu coração!

Glória,
Glória a Ti,
sempre e para sempre,
Senhor!


Marinha Grande, 18 de Fevereiro de 2017
Joaquim Mexia Alves
 

17 fevereiro, 2017

Igreja: Renovamento Carismático trouxe «um novo Pentecostes» que é preciso «guardar»


Martine Catta, cofundadora da Comunidade Emanuel, falou em Fátima sobre os desafios de um movimento iniciado há 50 anos


Fátima, 15 fev 2017 (Ecclesia) – Martine Laffitte-Catta, que juntamente com Pierre Goursat, fundou a Comunidade Emanuel, diz que a celebração dos 50 anos do Renovamento Carismático Católico deve desafiar a buscar novos dinamismos de expressão e de união entre os cristãos.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, aquela responsável recordou que o Renovamento Carismático, nascido a seguir ao Concílio Vaticano II, trouxe à Igreja “um novo Pentecostes”, uma “graça que tocou inúmeras pessoas em todo o mundo” e as fez “voltar para o cristianismo”.

“É preciso que agora saibamos guardar este fogo”, disse Martine Catta, para quem é essencial buscar “novas formas de tocar a sociedade”, de “atrair as pessoas”, mas também “procurar verdadeiramente a unidade dos cristãos”.

Um desafio que está contido na carta 'Iuvenescit Ecclesia’, que o Vaticano dedicou aos vários movimentos de vida cristã existentes dentro da Igreja Católica.

No documento, publicado em 2016 pela Congregação para a Doutrina da Fé, a Santa Sé apela a que os vários movimentos do Renovamento Carismático trabalhem juntos em benefício da “comunhão” e sem “confrontações estéreis”.

Martine Catta recorda que desde o seu surgimento o Renovamento Carismático tem sido acompanhado pela hierarquia da Igreja Católica, primeiro pelo Papa João Paulo II, depois por Bento XVI e agora pelo Papa Francisco.

“É importante não trabalharmos cada um pela sua verdade, até porque só há uma verdade”, salientou aquela responsável, que antecipou o encontro com o Papa Francisco no âmbito da comemoração dos 50 anos do Renovamento Carismático Católico, que vai ter lugar a seguir à Páscoa, na celebração do Pentecostes.

“Penso que vai ser um momento de alegria, uma oportunidade para receber um novo alento para seguir adiante”, considerou.

A Comunidade Emanuel (que quer dizer Deus connosco), surgiu em 1972 em França com um carisma eminentemente virado para a vida apostólica e a evangelização.

Reconhecida pela Santa Sé, esta associação publica internacional de fiéis conta com mais de 10 mil membros espalhados em cerca de 70 países do mundo, entre os quais Portugal.
Além de leigos, esta comunidade integra também diversos bispos, centenas de padres e seminaristas, além de cerca de 200 homens e mulheres consagrados no celibato.

Em Portugal, a Comunidade Emanuel está desde 1992, com cerca de uma centena de membros centrados sobretudo nas dioceses de Lisboa, Coimbra e Leiria-Fátima.

A cofundadora deste movimento esteve recentemente em Fátima para um encontro no âmbito dos 50 anos do Renovamento Carismático Católico.

O tema da iniciativa, ‘Re-encontrar Deus’, foi uma oportunidade de passar às pessoas que “todas elas são amadas por Deus, sem condição”, num local “muito especial” como o Santuário de Fátima, “que transmite uma força diferente”, confidenciou Martine Catta.

JCP

Agência Ecclesea

Universidade: lugar de “diálogo na diferença” - Papa na "Roma Três"




(RV) O Papa optou por entregar o discurso que tinha preparado ao Reitor, preferindo falar em estilo coloquial em resposta às perguntas que lhe tinham sido colocadas por quatro estudantes.

Esta é a primeira vez que o Papa Francisco visita uma universidade publica em Roma e esclareceu imediatamente a sua ideia de universidade: um lugar de “diálogo na diferença”.

Com 25 anos de vida, a “Universidade Roma 3”  tem cerca de 43 mil inscritos, um milhar dos quais chegaram hoje muito cedo no adro da Universidade para acolher Francisco.

Logo à sua chegada Francisco foi saudado pelo Reitor Mário Panizza e por outras autoridades universitárias. Depois, tendo ao seu lado uma tradutora na linguagem dos sinais para os surdos, começou por responder a uma pergunta sobre a violência que, infelizmente, persiste na sociedade. Francisco faz notar que há violência no exprimir-se, no falar, por vezes nos esquecemos mesmo “dar bom dia”.

“A violência é um processo que torna cada vez mais anónimos: tira--nos o nome. Anónimos uns em relação aos outros (…). Mas isto que vemos aqui, está a crescer e torna-se violência mundial. Ninguém hoje pode negar que estamos numa guerra e esta é uma guerra mundial aos bocados, mas há. É necessário abaixar um pouco a voz e escutar mais”.

Num mundo em que – faz notar Francisco – também “a politica desceu tanto”, perdendo o “sentido da construção social, da convivência social, o primeiro remédio contra a violência é o do coração que “sabe receber”, num diálogo que nos “aproxima”  na escuta do outro:

“A paciência do diálogo. E onde não há diálogo, há violência. Falei de guerra: é verdade, estamos em guerra. É verdade. Mas as guerras não começam ali: começam no coração, eh!, no nosso coração. Quando não sou capaz de exprimir-me perante os outros, de respeitar os outros, de falar com os outros, de dialogar com os outros, ali começa a guerra”.
A universidade – sublinhou Francisco – é, pelo contrário,  um lugar “onde se deve dialogar, onde há lugar para todos”, cada um com o seu próprio modo de pensar. Outros lugares, observa, onde isto não acontece não podem ser considerados da mesma forma:

“As universidade de elite, que são geralmente as chamadas universidades ideológicas (…) e onde te ensina apenas esta linha de pensamento (…) essa não é universidade: onde não há diálogo, onde não há confrontação de ideias, onde não há escuta, onde não há respeito pela maneira de pensar do outro, onde não há amizade, onde não há a alegria do jogo, o desporto, tudo isso, não há universidade. Todos juntos.”

O convite do Papa aos estudantes é, portanto, “procurar sempre a unidade, conceito “totalmente” diferente da uniformidade.  O perigo hoje a nível mundial – disse o Papa – é “conceber a globalização na uniformidade”. A via a seguir é a de um modelo poliédrico:

“Há uma globalização poliédrica, há uma unidade, mas cada pessoa, cada raça, cada país, cada cultura conserva sempre a sua própria identidade. E isto é unidade na diversidade que a globalização deve procurar”.

Também a comunicação – frisou o Papa – está a trazer uma certa celeridade, uma “rapidazione” – diz usando um termo comum aos holandeses  e explica:

“Muitas vezes a comunicação é tão rápida, tão ligeira que pode tornar-se líquida , sem consistência e isto é um dos perigos desta sociedade” – referiu, citando Baum. E nós “devemos assumir o desafio de transformar esta sociedade líquida em algo de concreto”.

O Papa disse depois que o drama da “liquidez” verifica-se também na economia. Há países ditos desenvolvidos, como na Europa, que não conseguem garantir trabalho a uma alta percentagem de jovens:

“Esta liquidez da economia tira o caracter concreto do trabalho e tira a cultura do trabalho porque não se pode trabalhar, os jovens não sabem o que fazer”. São explorados, caiem na ratoeira das dependências que os levam a suicídios, a integrar-se “num exército terrorista”. Serve – repetiu o Papa – uma economia concreta, no mundo, na Europa.

O Papa recordou depois que este continente caracterizado na sua história “por invasões, migrações” teme hoje perder a própria “identidade” se “vierem pessoas de uma outra cultura”. As migrações voltou a sublinhar Francisco “não são um perigo”, mas sim “um desafio para nos fazer crescer”.

Falou da ilha de Lesbos, onde disse “sofreu tanto” e recordou as pessoas que fogem da África e do Médio Oriente:

“Porque há guerra e fogem da guerra, ou há fome: fogem da fome. Mas qual seria a solução  ideal? Que não haja guerra e que não haja fome, quer dizer fazer as pazes, fazer investimentos naqueles lugares a fim de que haja recursos para trabalhar e ganhar a vida”.

É um convite, o do Papa, a “não explorar “. E dirige-o aos “potentes”  da Terra, assim como também aos criminosos que gerem os tráficos de seres humanos, os barcos carregados de migrantes que morrem no Mediterrâneo, um mar que se tornou num cemitério.

O Papa referiu-se depois à sua viagem a Lampedusa, dizendo que sentiu que devia ir e perguntou: como acolher então quem chega? Com respeito, sem medo. Acolher e integrar,  recomendou Francisco, pois que os migrantes trazem cultura, riqueza. Integrar é importante, sublinhou, sem esquecer que entre os migrantes há também delinquentes. E apontou também o risco de os responsáveis por crimes serem, tal como aconteceu na Bélgica, onde foram filhos de imigrantes mal integrados, guetizados… a fazer o atentado de Zaventem e concluiu recordando que quando há acolhimento, acompanhamento e integração, não há perigo com a imigração. Recebe-se cultura e dá-se cultura.

(GA/DA)

16 fevereiro, 2017

Papa: preservar a paz, chega de guerras!




(RV) O primeiro compromisso do Papa nesta quinta foi a celebração da missa na capela da Casa Santa Marta. Na sua homilia, o Pontífice deu destaque ao sofrimento de tantos povos castigados pelas guerras promovidas pelos poderosos e pelos traficantes de armas.

De modo especial, falou de três imagens presentes na Primeira Leitura, extraída do Livro do Gênesis: a pomba, o arco-íris e a aliança.

“A aliança que Deus faz é forte – comentou – mas como nós a recebemos e a aceitamos é com fraqueza. Deus faz a paz conosco, mas não é fácil preservá-la”. “É um trabalho de todos os dias, porque dentro de nós ainda existe aquela semente, aquele pecado original, o espírito de Caim que por inveja, ciúme, cobiça e desejo de dominação faz a guerra”. Francisco observou que, falando da aliança entre Deus e os homens, se faz referência ao “sangue”: “pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão”. Nós, portanto, “somos custódios dos irmãos e quando há derramamento de sangue, há pecado e Deus nos pedir-nos-á contas”:



“Hoje no mundo há derramamento de sangue. Hoje o mundo está em guerra. Muitos irmãos e irmãs morrem, inclusive inocentes, porque os grandes e os poderosos querem um pedaço a mais de terra, querem um pouco mais de poder ou querem ter um pouco mais de lucro com o tráfico de armas. E a Palavra do Senhor é clara: ‘pedirei contas do vosso sangue, que é vida, a qualquer animal. E ao homem pedirei contas da vida do homem, seu irmão’. Também a nós, que parecemos estar em paz aqui, o Senhor pedirá contas do sangue dos nossos irmãos e irmãs que sofrem a guerra”.

Custodiar a paz, a declaração de guerra começa em cada um de nós

“Como proteger a pomba? Pergunta-se Francisco; “O que faço para que o arco-íris seja sempre um guia? O que faço para que não seja mais derramado sangue no mundo?”. Todos nós, reiterou, estamos envolvidos nisto. A oração pela paz não é uma formalidade, o trabalho pela paz não é uma formalidade. E relevou com amargura que a guerra começa no coração do homem, começa nas casas, nas famílias, entre amigos, e depois vai além, a todo o mundo. “O que faço, eu, quanto sinto no meu coração ‘algo que quer destruir a paz’?”

“A guerra começa aqui e termina lá. Vemos as notícias nos jornais e na TV... Hoje, muita gente morre e a semente de guerra que gera inveja, provoca ciúmes, a cobiça no meu coração é a mesma coisa do que a bomba que cai num hospital, numa escola, matando crianças- é o mesmo. A declaração de guerra começa aqui, em cada um de nós. Por isso, pergunto: “Como custodiar a paz no meu coração, no meu intimo, na minha família?”. Custodiar a paz, mas não só: fazê-la com as mãos, todos os dias. E assim conseguiremos fazê-la no mundo inteiro”.

A recordação do fim da guerra na lembrança do menino
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“O sangue de Cristo – evidenciou – é o que faz a paz, mas não o sangue que eu faço com o meu irmão” ou “o que fazem os traficantes de armas ou os poderosos da terra nas grandes guerras”. Francisco relatou um episódio pessoal, de quando era criança, sobre a paz:

“Recordo quando começou a tocar o alarme dos Bombeiros, depois nos jornais e na cidade... Isto fazia-se para atrair a atenção para, ou facto, ou uma tragédia, ou outra coisa. E logo ouvi a vizinha da casa chamar minha mãe: ‘Senhora Regina, venha, venha!’ E minha mãe saiu, assustada: ‘O que aconteceu?’ E a mulher, do outro lado do jardim, disse: ‘A guerra acabou!’, chorando.

Francisco recordou o abraço das duas mulheres, o pranto e a alegria porque a guerra tinha terminado. “Que o Senhor – concluiu – nos dê a graça de poder dizer: ‘Terminou a guerra’ e chorando: ‘Acabou a guerra no meu coração, acabou a guerra na minha família, acabou a guerra no meu bairro, acabou a guerra no meu trabalho, acabou a guerra no mundo’. Assim serão mais fortes a pomba, o arco-íris e a aliança”.

15 fevereiro, 2017

Papa: a esperança cristã não exclui nem marginaliza ninguém


(RV) Quarta-feira, 15 de fevereiro: audiência com Papa Francisco na Sala Paulo VI. Na sua catequese o Papa, partindo da epístola aos Romanos, repropôs o tema da esperança cristã, uma esperança sólida e que não decepciona, disse,  porque baseada no amor de Deus por nós.

Desde a infância, observou o Papa, nos é ensinado que não é coisa boa se vangloriar, por aquilo que se é ou se tem, pois isso indicaria certo orgulho e é também falta de respeito para com os outros, especialmente os que são menos afortunados do que nós. Mas o apóstolo Paulo nos surpreende exortando-nos por duas vezes a nos vangloriarmos. De que, então, é justo vangloriar-se, e como é possível fazer isso sem ofender os outros, sem excluir alguém, se perguntou Francisco.

Somos convidados a nos vangloriarmos, antes de tudo,  da abundância da graça de que fomos imbuídos em Jesus Cristo, por meio da fé – explicou o Papa:

“Paulo quer fazer-nos entender que, se aprendemos a ler tudo com a luz do Espírito Santo, percebemos que tudo é graça, tudo é dom! Se prestarmos atenção, de facto, quem age - na história, como na nossa vida - não somos apenas nós, mas é Deus antes de tudo. É Ele o protagonista absoluto, que cria tudo como um dom de amor, que tece a trama do seu plano de salvação, e que o leva a cumprimento por nós, mediante o seu Filho, Jesus”.

Nós temos apenas – prosseguiu o Papa - de reconhecer e acolher com gratidão este dom e fazer que se torne motivo de louvor, bênção e grande alegria. Se fizermos isso, estamos em paz com Deus e experimentamos enorme liberdade, estamos em paz connosco, estamos em paz na família, na nossa comunidade, no trabalho e com as pessoas que encontramos todos os dias no nosso caminho.

Mais difícil de perceber, para nós, disse ainda Francisco, quando Paulo nos exorta a nos vangloriarmos também nas tribulações mas, na verdade, a paz que o Senhor nos oferece e garante não deve ser entendida como ausência de preocupações, decepções, fracassos, ou quaisquer motivos de sofrimento – é uma paz que nos vem da fé, porque se assim não fosse, uma vez conseguida essa paz, aquele momento acabaria bem depressa e cairíamos inevitavelmente no desconforto, reiterou Francisco:

“Mas a paz que vem da fé é pelo contrário um dom: é a graça de experimentarmos que Deus nos ama e que está sempre ao nosso lado, não nos deixa sozinhos nem um só momento da nossa vida. E isto, como diz o Apóstolo, gera a paciência, porque sabemos que, mesmo nos momentos mais difíceis e devastadores, a misericórdia e a bondade do Senhor são maiores de todas as coisas e nada nos vai arrancar de suas mãos e da comunhão com Ele”.

Eis porque a esperança cristã é sólida, eis porque ela não decepciona – sublinhou o Papa – porque não se funda naquilo que nós podemos fazer ou ser, e nem naquilo em que nós podemos acreditar,  o seu fundamento é aquilo que de mais fiel e seguro possa existir, ou seja, o amor que o próprio Deus nutre  para cada um de nós:

“É fácil dizer que Deus nos ama, mas pode cada um de nós dizer “estou seguro, estou segura que Deus me ama”? Não é assim tão fácil … Mas é verdade. É um bom exercício dizer a si próprio: “Deus me ama!”, e esta é a raiz da nossa segurança, a raiz da esperança”.

E o Senhor derramou abundantemente nos nossos corações o seu Espírito como artífice e garante, para que possa alimentar em nós a fé e manter viva esta esperança de que Deus me ama: neste momento mau, Deus me ama; e a mim que fiz esta coisa má, Deus me ama – disse o Papa Francisco, convidando a todos a repetir como oração “Deus me ama, eu estou seguro que Deus me ama”.

O nosso maior orgulho é, pois, termos como Pai um Deus que não faz preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa para todos os seres humanos, começando pelos últimos e distantes, para que, como seus filhos, aprendemos a consolar-nos e apoiar-nos  uns aos outros – concluiu Francisco.

Nas saudações o Santo Padre dirigiu-se aos fiéis de língua portuguesa com estas palavras:
“Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta Audiência. Possa este encontro, que nos faz sentir membros da única família dos filhos de Deus, renovar a vossa esperança no Deus misericordioso que não exclui ninguém e nos convida a ser testemunhas do seu amor sobretudo para com os mais necessitados. Obrigado”.

Uma saudação especial  foi também aos jovens, os doentes e os recém-casados: recordando a festa – celebrada ontem - dos Santos Cirilo e Metódio, evangelizadores dos povos eslavos e co-padroeiros da Europa, Francisco auspiciou que o seu exemplo ajude em particular aos jovens a se tornarem em cada ambiente discípulos missionários; a sua tenacidade encoraje os doentes a oferecer os seus sofrimentos pela conversão dos distantes; e o seu amor pelo Senhor ilumine os esposos recém-casados, para colocarem  o Evangelho como regra fundamental da sua vida familiar.

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção.

Papa: governos promovam plena participação dos povos indígenas



(RV) Na manhã desta quarta-feira (15/02), antes da audiência geral, o Papa recebeu na antessala Paulo VI um grupo de 40 representantes de povos indígenas. Membros do Conselho dos Governadores do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (IFAD), estão reunidos para tentar identificar maneiras de responsabilizar economicamente os povos autóctones.

 “O principal desafio é conciliar o direito ao desenvolvimento com a tutela dos povos e territórios indígenas”, sugeriu o Pontífice, falando ao grupo. “E isto fica ainda mais evidente quando actividades económicas interferem com as culturas indígenas e sua relação ancestral com a terra”.

Segundo Francisco, para garantir uma colaboração pacífica e sem conflitos entre governos e povos indígenas, deve prevalecer ‘o direito ao consenso prévio e informado’, assegurado na Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas.

Outro aspecto relevante para o Pontífice é o reconhecimento das comunidades autóctones como componente da população que deve ser ‘incluída’ e não apenas ‘considerada’. “Os indígenas devem ser valorizados e consultados; ter plena participação, local e nacionalmente”.

Neste sentido, o Papa afirmou que o IFAD pode contribuir com financiamentos e competência, pois “um desenvolvimento tecnológico e económico que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior não se pode considerar progresso”. (Enc. Laudato si, 194).

Mãe-terra

“E vós, nas vossas tradições, nas vossas culturas – porque o que trazeis na história é cultura – viveis o progresso com um cuidado especial pela mãe terra. Neste momento, em que a humanidade está pecando gravemente ao não cuidar da terra, eu vos exorto para que sigais dando testemunho disso e não permitais que novas tecnologias, que são lícitas e são boas, mas não permitais aquelas que destroem a terra, destroem a ecologia, o equilíbrio ecológico e que terminam por destruir a sabedoria dos povos”, concluiu o Papa.

Ao fim do encontro, o Pontífice concedeu a sua bênção aos integrantes do grupo, estendendo-a às suas comunidades. (BS/CM)

14 fevereiro, 2017

Papa: Cirilo e Metódio arautos do Evangelho com coragem, oração e humildade




(RV) Coragem, oração e humildade: estes são os traços que caracterizam os grandes “arautos” que ajudaram a Igreja a crescer no mundo, que contribuíram à sua missionariedade. Foi o que disse o Papa na missa celebrada na manhã de terça-feira (14/02) na capela da Casa Santa Marta.

Precisamos de “semeadores de Palavra”, de “missionários, de verdadeiros arautos” para formar o povo de Deus, como foram Cirilo e Metódio, “irmãos intrépidos e testemunhas de Deus que fizeram da Europa mais forte", padroeiros do continente. Na homilia, o Papa indicou as três características da personalidade de um “enviado” que proclama a Palavra de Deus, inspirando-se no Evangelho de Lucas que a liturgia propõe.

A primeira característica é a “franqueza”, que inclui força e coragem:

“A Palavra de Deus não pode ser levada como uma proposta – “bom, se você gostar...” – ou como uma ideia filosófica ou moral, boa – “você pode viver assim …” … Não. É outra coisa. Precisa ser proposta com esta franqueza, com aquela força, para que a Palavra penetre, como diz o próprio Paulo, até os ossos. A Palavra de Deus deve ser anunciada com esta franqueza, com esta força … com coragem. A pessoa que não tem coragem – coragem espiritual, coragem no coração, que não está apaixonada por Jesus, e dali vem a coragem! – não, dirá, sim, algo de interessante, algo moral, algo que fará bem, um bem filantrópico, mas não tem a Palavra de Deus. E esta palavra é incapaz de formar o povo de Deus. Somente a Palavra de Deus proclamada com esta franqueza, com esta coragem, é capaz de formar o povo de Deus”.

Do capítulo décimo do Evangelho de Lucas foram extraídas outras duas características próprias de um arauto da Palavra de Deus. Um Evangelho “um pouco estranho”, afirmou o Papa, porque rico de elementos acerca do anúncio. “A messe é abundante, mas são poucos os operários. Rezai portanto ao Senhor da messe para que mande operários para a sua messe”, repetiu Francisco, e é assim, portanto, que depois da coragem está a “oração”:
“A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração também, sempre. Sem oração, se pode fazer uma bela conferência, uma bela palestra: boa, boa; mas não é a Palavra de Deus. Somente de um coração em oração pode sair a Palavra de Deus. A oração, para que o Senhor acompanhe este ‘semear’ a Palavra, para que o Senhor regue a semente e ela brote, a Palavra. A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração: a oração daquilo que anuncia a palavra de Deus”.

No Evangelho consta também um terceiro ‘trecho interessante’. O Senhor envia os discípulos “como cordeiros no meio de lobos”:

“O verdadeiro pregador é o que sabe ser fraco, sabe que não se pode defender sozinho. ‘Tu vais como cordeiro no meio de lobos’. ‘Mas, Senhor, para que eles me comam?’. ‘Tu, vais, é este o caminho’. E creio que o Crisóstomo faz uma reflexão muito profunda quando diz: “Se tu não fores como cordeiro, mas como lobo entre os lobos, o Senhor não te protegerá: defende-te sozinho”. Quando o pregador se acha muito inteligente ou quando quem tem responsabilidade de levar adiante a Palavra de Deus e quer dar uma de esperto... ‘Ah, eu sei me sair com esta gente!’, ele termina mal. Negociará com a Palavra de Deus: aos poderosos, aos soberbos...”.

E para ressaltar a humildade dos grandes arautos, Francisco cita um episódio que lhe contaram de um sacerdote que “se vangloriava de pregar bem a Palavra de Deus e se sentia um lobo”: depois de uma bela pregação – recorda o Papa, foi ao confessionário e encontrou um grande pecador que chorava... queria pedir perdão”. Este confessor – prossegue Francisco – ‘começou a encher-se de vaidade e a curiosidade o levou a perguntar qual era a Palavra que o havia tocado ao ponto de leva-lo ao arrependimento. “Foi quando o senhor disse ‘mudemos de assunto’. “Não sei se é verdade” – esclareceu o Papa – “mas isto confirma que se acaba sempre mal quando a Palavra de Deus é usada ‘sentindo-se seguros de si’ e não como cordeiros, que o Senhor defenderá”.

“Esta é a missionariedade da Igreja; e os grandes arautos, “que semearam e ajudaram a crescer as Igrejas no mundo, foram homens corajosos, de oração e humildes”. A oração final é para que os Santos Cirilo e Metódio nos ajudem a proclamar a Palavra de Deus assim como eles o fizeram”, concluiu o Pontífice. (BS)