27 maio, 2018

Papa Angelus: Não acreditamos numa entidade distante, Deus é pai

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 Papa Francisco Angelus  (ANSA)

O Papa pediu a Nossa Senhora que “nos ajude a cumprir com alegria a missão de testemunhar ao mundo, sedento de amor, que o sentido da vida é precisamente o amor infinito, o amor concreto do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. 

Silvonei José – Cidade do Vaticano 

“O cristão não é uma pessoa isolada, pertence a um povo, esse povo que forma Deus. Não se pode ser um cristão sem tal pertença e comunhão: somos povo, o povo de Deus”: foi o que afirmou o Papa Francisco na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus neste domingo (27/05), na Praça de São Pedro, na festa da Santíssima Trindade.

As leituras bíblicas de hoje – explicou o Santo Padre -  fazem-nos entender como Deus não queira tanto revelar que Ele existe, mas sim que é o 'Deus connosco’, perto de nós, que nos ama, que caminha connosco, é interessado na nossa história pessoal e cuida de cada um, desde os pequeninos até aos mais necessitados. 

O Espírito Santo tudo transforma
"Ele e 'Deus lá no céu' mas também 'aqui em baixo, na terra'- continuou -. Portanto, não acreditamos numa entidade distante, não, em uma entidade indiferente, não, mas ao contrário no Amor que criou o universo e gerou um povo, e se fez carne, morreu e ressuscitou por nós, e como o Espírito Santo tudo transforma e leva à plenitude ".
 
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"São Paulo, que primeiro experimentou esta transformação realizada por Deus-Amor, comunica-nos o seu desejo de ser chamado por Pai, ou melhor, 'papá', Deus é o papá - disse o Papa -, com a total confiança de uma criança que se abandona nos braços de quem lhe deu a vida. O Espírito Santo - recorda o Apóstolo - agindo em nós faz com que Jesus Cristo não seja reduzido a um personagem do passado, mas que nós o sintamos próximo, nosso contemporâneo, e experimentemos a alegria de sermos filhos amados por Deus". 

Ele  escolheu sempre caminhar com a humanidade 
"Deus caminhando connosco enche-nos de alegria e a alegria é um pouco a primeira linguagem do cristão", disse o Pontífice. Então, a festa da Santíssima Trindade "faz-nos contemplar o mistério de um Deus que incessantemente cria, redime e santifica, sempre com amor e por amor, e a cada criatura que o acolhe faz refletir um raio da sua beleza, bondade e verdade. Ele  escolheu sempre caminhar com a humanidade e formar um povo que é bênção para todas as nações e para todas as pessoas, nenhuma excluída".

O Papa concluiu as suas palavras pedindo a Nossa Senhora que “nos ajude a cumprir com alegria a missão de testemunhar ao mundo, sedento de amor, que o sentido da vida é precisamente o amor infinito, o amor concreto do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

VATICAN NEWS

26 maio, 2018

Bispos querem despertar “o entusiasmo missionário"

A Igreja em Portugal vai viver um Ano Missionário, em todas as dioceses, de outubro de 2018 a outubro de 2019. O anúncio foi feito na Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’.

“Que este Ano Missionário se torne uma ocasião de graça, intensa e fecunda, de modo que desperte o entusiasmo missionário. E que este jamais nos seja roubado! Nesse entusiasmo, a formação missionária deve perpassar toda a nossa catequese e as escolas de leigos, e ser inserida nos currículos dos Seminários e das Faculdades de Teologia”, aponta o documento, publicado no Domingo de Pentecostes, no passado dia 20 de maio.
O texto começa por lembrar que o Papa Francisco declarou o mês de outubro de 2019 ‘Mês Missionário Extraordinário’, tendo como objetivo “despertar para uma maior consciência da missão e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”. “Acolhendo com alegria a proposta do Papa Francisco de um Mês Missionário Extraordinário para toda a Igreja, nós, Bispos portugueses, propomo-nos ir mais longe e celebraremos esse mês como etapa final de um Ano Missionário em todas as nossas Dioceses, de outubro de 2018 a outubro de 2019”, revela a nota pastoral.

Terra de missão
Recordando depois que “desde o início do seu pontificado, o Papa Francisco tem convidado todo o cristão, em qualquer lugar e situação, a renovar o seu encontro pessoal com Jesus Cristo”, os bispos portugueses frisam que “não podemos ficar tranquilos, em espera passiva: é necessário passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária”. “Com o ‘sonho missionário de chegar a todos’, o Santo Padre tem incentivado a ir às periferias, a ir até junto dos pobres, convidando os jovens a ‘fazer ruído’, a não ‘ficarem no sofá’ a verem a vida a passar. Convida a Igreja a não ficar entre si sem correr riscos, mas ter a coragem de ser uma Igreja viva, acolhedora, dos excluídos e dos estrangeiros”, lembram.
Neste texto, a Conferência Episcopal Portuguesa destacou ainda a urgência da evangelização. “Como discípulos missionários, devemos entrar decididamente com todas as forças nos processos constantes de renovação missionária, pois, hoje, cada terra e cada dimensão humana são terra de missão à espera do anúncio do Evangelho”, recordam.

Viver a missão
A nota pastoral destaca também as quatro dimensões, que o Papa Francisco indica, para preparar e viver o Mês Missionário Extraordinário de outubro de 2019: “Encontro pessoal com Jesus Cristo vivo na sua Igreja: Eucaristia, Palavra de Deus, oração pessoal e comunitária; Testemunho: os santos, os mártires da missão e os confessores da fé, que são expressão das Igrejas espalhadas pelo mundo; Formação: bíblica, catequética, espiritual e teológica sobre a missão; e Caridade missionária: ajuda material para o imenso trabalho da evangelização e da formação cristã nas Igrejas mais necessitadas”, resume o documento. Neste sentido, as “dimensões de oração, reflexão e ação propostas pelo Santo Padre, assim como o tema do Dia Mundial das Missões em 2019 – ‘Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo’ – estarão presentes nas várias iniciativas diocesanas ao longo de todo o Ano Missionário, sempre centrados na Palavra e na Eucaristia”.

Sair em missão
O documento apela a que “em todas as nossas dioceses surjam Centros Missionários Diocesanos (CMD) e Grupos Missionários Paroquiais (GMP), laboratórios missionários, células paroquiais de evangelização que, em consonância com as OMP e os Centros de animação missionária dos Institutos Missionários, possam fazer com que a missão universal ganhe corpo em todos os âmbitos da pastoral e da vida cristã”.
A Nota Pastoral ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’, da Conferência Episcopal Portuguesa, termina com um convite à missão: “Ao longo deste Ano Missionário, de outubro de 2018 a outubro de 2019, façamos todos – bispos, padres, diáconos, consagrados e consagradas, adultos, jovens, adolescentes, crianças – a experiência da missão. Sair. Irmos até uma outra paróquia, uma outra diocese, um outro país em missão, para sentirmos que somos chamados por vocação a sermos universais, ou seja, a termos responsabilidade não só sobre a nossa comunidade, mas sobre o mundo inteiro".

Patriarcado de Lisboa

“Há uma sociedade que é claramente contra a eutanásia"

“Dar voz” à sociedade que rejeita a eutanásia é o objetivo da concentração junto à Assembleia da República, marcada para terça-feira, 29 de maio. Em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, o porta-voz da organização e da campanha ‘Toda a Vida tem dignidade’, José Maria Seabra Duque, pede o cumprimento da Constituição, deseja mais soluções que ajudem a “cuidar” dos “mais frágeis” e faz um apelo à participação na iniciativa.


No próximo dia 29, na mesma data da discussão parlamentar, a campanha ‘Toda a Vida tem dignidade’ tem agendada uma concentração para decorrer em frente à Assembleia da República. O que pretendem com esta ação? 

Pretende-se, sobretudo, claramente e publicamente, afirmar que existe um povo que não quer a eutanásia, que a rejeita. Defendemos uma sociedade que cuida, que acompanha os mais frágeis, os mais doentes e não uma sociedade que mata. Por isso, queremos que os senhores deputados oiçam e vejam isso. Este assunto, a ser discutido – embora eu tenha sérias dúvidas –, é para ser discutido em campanha eleitoral. Ora, este assunto não esteve em nenhum programa eleitoral. Isto é uma invenção do Bloco de Esquerda que, em vez de o pôr no programa eleitoral, decidiu fazer uma petição, com uma ou duas pessoas da sociedade civil, para fingir que havia uma certa movimentação na sociedade sobre este assunto. Não é verdade. Aquilo que existe na sociedade civil é uma clara a rejeição da eutanásia. Vemos isso, sobretudo naquela parte da sociedade que acompanha os doentes em final de vida: os médicos (os cinco últimos e o atual bastonário da Ordem são contra) e os enfermeiros (a Ordem emitiu um parecer desfavorável a estes projetos de lei). Vimos, na semana passada, representantes das maiores religiões em Portugal a rejeitarem a eutanásia. Há uma sociedade que é claramente contra a eutanásia. É para dar voz a esta sociedade que, no dia 29, estaremos em São Bento.

Na discussão, há um ponto em comum: todos concordam com um maior investimento em cuidados paliativos. Faz sentido essa questão entrar juntamente com o debate que se está a fazer sobre a eutanásia? 
O que não faz sentido é o debate da eutanásia. Existe aqui um claro problema que é preciso enfrentar: vivemos num tempo e numa sociedade que não cuida dos seus mais frágeis. Todos nós conhecemos histórias de idosos abandonados. E aqui não vale a pena culpar a família da pessoa que, muitas vezes, trabalha oito horas e leva o ordenado mínimo para casa e vive numa cidade que não cria condições para esse filho apoiar a mãe, por exemplo, e onde dificilmente se conseguem condições para uma pessoa acamada estar em casa. Esse é o real problema. É um problema de uma sociedade que olha para os doentes idosos e não tem solução para lhes dar. Esse é um problema que vale a pena discutir. É aí que entram os cuidados paliativos, continuados, é aí que entra o papel da família e do apoio às famílias. Infelizmente, o que estamos a discutir é se o Estado pode ou não matar pessoas que pedem para morrer. Por isso, o nosso lema tem sido: “Não mates, cuida”. Arranjemos condições para a sociedade cuidar daqueles mais frágeis.

O facto de a concentração decorrer num dia de semana e à hora do almoço poderá ser um fator desmobilizador?
Sempre que marcamos alguma coisa, há sempre uma razão para ser desmobilizador. Evidentemente que existem sempre inconvenientes para qualquer data. Mas este é o dia! É o dia em que os deputados vão debater e votar. Aquela hora é a hora em que os senhores deputados estão a entrar para a Assembleia da República. Eu percebo todos os inconvenientes, mas aquilo que nos devemos perguntar é: quando, daqui uns anos, acontecer em Portugal o que acontece na Holanda (de 1 hora e 20 minutos em 1 hora e 20 minutos há uma eutanásia) e nós pensarmos no que poderíamos ter feito, o que é que a consciência nos acusará? Se isto for aprovado, quando estiverem pessoas nos hospitais a morrerem de eutanásia e que podiam ser cuidadas, amadas, estimadas – mas, como se oferece esta solução, acabaram por recorrer a ela –, nós pensaremos: há quatro anos, quando os deputados estavam a discutir esta lei, onde é que eu estava

  • Leia a entrevista completa na edição do dia 27 de maio do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.
Patriarcado de Lisboa

Papa "Centesimus Annus": construir uma cultura de inclusão

 
Membros Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice  (Vatican Media)
 
O Papa exorta os membros da Fundação “Centesimus Annus, a perseverar no compromisso de construir uma cultura global de justiça económica, de igualdade e de inclusão.
 
Cidade do Vaticano
 
O Santo Padre concluiu as suas atividades, na manhã deste sábado (26/5), recebendo, na Sala Régia do Vaticano, cerca de 500 participantes da Conferência Internacional da Fundação “Centesimus Annus pro Pontifice”, que teve como tema: “Debate sobre as novas políticas e estilos de vida na era digital”.
 
A Conferência de três dias, que acaba de se concluir no Vaticano, sob a presidência do Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, contou com a participação especial do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, que abordou o tema: “Uma agenda cristã comum pelo Bem Comum”.

A Fundação “Centesimus Annus”, recordamos, é uma Carta encíclica do Papa João Paulo II, promulgada a 1 de maio de 1991, por ocasião do centenário da Encíclica “Rerum Novarum”, daí o seu nome “Centesimus Annus”.

Importância de conhecer a Doutrina Social da Igreja

No seu discurso aos numerosos membros da Fundação, por ocasião dos seus 25 anos de atividades, o Papa Francisco falou sobre a importância de se conhecer a Doutrina Social da Igreja no âmbito dos negócios e setores económicos da sociedade civil:

As atuais dificuldades e crise no sistema económico precisam de uma inegável dimensão ética, pois são ligadas a uma mentalidade de egoísmo e exclusão, que geraram certa cultura de descarte, sobretudo entre os mais vulneráveis. É o que se nota com a crescente ‘globalização da indiferença’, que gera perante evidentes desafios morais, que a família humana deve enfrentar”.
 
Neste sentido, o Papa recorda, de modo especial, os multíplices obstáculos ao desenvolvimento humano integral, não apenas nos Países mais pobres, mas também cada vez mais no mundo opulento. Francisco lembra ainda as questões éticas urgentes, ligadas aos movimentos migratórios. Por isso, disse aos membros da Fundação:

Esta Fundação tem uma responsabilidade importante ao levar a luz da mensagem evangélica ao enfrentar as questões humanitárias urgentes e ao ajudar a Igreja a realizar este aspeto essencial da sua missão. Mediante um esforço constante, com os líderes da Economia, das Finanças e de outros setores sindicais públicos, vocês buscam assegurar, que a dimensão social intrínseca de toda atividade económica, seja adequadamente tutelada e efetivamente promovida”.

Novas políticas e novos estilos de vida

Noutras palavras, o Papa destacou que “a dimensão ética das relações sociais e económicas não pode ser importada do externo e imposta à vida e atividade social, que é um objetivo a longo prazo. Aqui, Francisco referiu-se ao tema da Conferência internacional deste ano: “Novas políticas e novos estilos de vida na era digital”. E explicou:

Um dos desafios, ligados a esta temática, é a ameaça enfrentada pelas famílias, por causa das escassas oportunidades de trabalho e da revolução da cultura digital. Este é um aspeto necessário que torna decisiva a solidariedade da Igreja. A vossa contribuição é expressão de uma atenção privilegiada da Igreja com o futuro dos jovens e das famílias. Esta atividade conta com a especial colaboração ecuménica, representada pelo Patriarca Bartolomeu, aqui presente”.
 
O Santo Padre concluiu o seu discurso destacando que, mediante a transmissão da riqueza da Doutrina Social da Igreja, os membros da Fundação “Centesimus Annus” buscam formar as consciências dos líderes, nos campos político, social e económico.

Por isso, encorajou-os a perseverar neste compromisso, que contribui para a construção de uma cultura global de justiça económica, de igualdade e de inclusão.

Ouça a reportagem

 VATICAN NEWS

Centesimus Annus: Bartolomeu I defende agenda comum diante dos desafios atuais

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Papa Francisco e Bartolomeu I no Vaticano

Falando na conferência da Fundação Centesimus Annus - pro Pontifice, o Patriarca Ecuménico de Constantinopla concentrou-se nos problemas atuais nas áreas da economia e da ecologia, da ciência e da tecnologia, da sociedade e da política, e defendeu uma agenda comum entre as Igrejas para enfrentar os desafios contemporâneos.

Cidade do Vaticano 

Não podemos ignorar a ''imensa crise de solidariedade" existente porque os problemas económicos e sociais afetam diretamente a “existência” e a “dignidade” dos ​​seres humanos: é necessário, portanto, “uma agenda cristã comum para o bem comum".

Foi o que defendeu o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, ao pronunciar-se na manhã deste sábado na Sala Regia, no Vaticano, na Conferência internacional “Debate sobre novas políticas e formas de vida na era digital”, promovida pela Fundação Centesimus Annus - Pro Pontifice, por ocasião  do 25º  aniversário da sua criação, ocorrida em 1993. 

Nós precisamos uns dos outros

Depois de ter sido recebido em audiência privada pelo Papa Francisco, o Patriarca ortodoxo de Constantinopla participou na sessão de trabalhos presidida pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, ocasião em que expressou a convicção de que "ninguém pode enfrentar sozinho" os problemas de hoje no campo da economia e da ecologia, da ciência e da tecnologia, da sociedade e da política.

Em tal contexto, sublinhou, "precisamos uns dos outros", ou seja, de uma ''agenda comum, uma mobilização comum, esforços conjuntos e objetivos comuns". E nesse esforço "a contribuição das nossas Igrejas", Católica e Ortodoxa, continua a ser - acrescentou – crucial, pois elas "conservaram valores elevados, precioso património espiritual e moral e profundo conhecimento antropológico". 

O que é verdadeiramente cristão é essencialmente social

Dirigindo-se à Fundação Centesimus Annus - Pro Pontifice, Bartolomeu I agradeceu pela "determinação em promover a Doutrina Social da Igreja Católica" de acordo com os ensinamentos de S. João Paulo II: "o que é verdadeiramente cristão - ressaltou - é essencialmente social".

As nossas Igrejas - continuou - promovendo "o conteúdo social do Evangelho", resistem às injustiças e a todos os poderes que "ameaçam a coesão social".

A propósito do rápido progresso da ciência e tecnologia, o Patriarca observou como a tecnologia não está mais "ao serviço do homem", mas é, pelo contrário, "a sua principal força motriz, que exige completa obediência, além de impor os seus próprios  princípios em todos os aspetos da vida". E expressou "preocupação" em face de uma certa "autonomia" em relação às "necessidades vitais do ser humano."

No septuagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, Bartolomeu I exorta  a superar o ''individualismo contemporâneo" para se poder olhar para uma “comunidade de pessoas” segundo a comunhão da Igreja, em que “mete e coração, fé e conhecimento, liberdade e amor, indivíduo e sociedade,  ser humano e o conjunto da Criação estão reconciliados".

Papa Francisco e Bartolomeu I no Vaticano

VATICAN NEWS

25 maio, 2018

Papa Francisco: o matrimónio é a beleza cristã

 
Papa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)
 
"Que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimónio há a imagem e a semelhança de Deus”, disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta.
 
Adriana Masotti – Cidade do Vaticano

A beleza do matrimónio foi o tema da homilia do Papa Francisco na missa celebrada na manhã de sexta-feira na capela da Casa Santa Marta. Entre os fiéis, havia sete casais que celebravam 50 e 25 anos de casamento.

O trecho do Evangelho segundo São Marcos fala da intenção dos fariseus de colocar Jesus à prova colocando-lhe uma pergunta que o Papa define “casística”, isto é, quando se reduz a fé a “um sim ou um não”. E explica:

Não o grande "sim" ou o grande "não" dos quais ouvimos falar, que é Deus. Não: se pode ou não se pode. E a vida cristã, a vida segundo Deus, segundo estas pessoas, está sempre no ‘se pode’ e ‘não se pode’.

A pergunta diz respeito ao matrimónio, querem saber se é lícito ou não que um marido repudie a própria mulher. Mas, afirma Francisco, Jesus vai além, eleva o nível e “chega até à Criação e fala do matrimónio que é talvez a coisa mais bela” que o Senhor criou naqueles sete dias.

 A desgraça da separação
‘Desde o início da criação [Deus] nos fez homem e mulher; o homem deixará o seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne’. “É forte o que diz o Senhor”, comenta o Papa, fala de “uma carne” que não se pode dividir. Jesus “deixa o problema da divisão e vai à beleza do casal que deve caminhar como um só”. Francisco destaca que o homem e a mulher devem abandonar aquilo que eram antes “para começar uma nova estrada, um novo caminho”. E depois durante toda a vida realizam este caminho de “ir avante juntos: não dois, um”. O Papa então recomenda: “Não devemos deter-nos, como esses doutores, num ‘se pode’ ou ‘não se pode’ dividir um matrimónio. Às vezes, acontece a desgraça de não funcionar e é melhor separarem-se para evitar uma guerra mundial, mas isso é uma desgraça. Devemos ver o positivo”.

Francisco citou um casal que festejava 60 anos de casamento e, diante da pergunta se eram felizes, os dois olharam-se nos olhos, que ficaram repletos de lágrimas pela comoção, e responderam: "Somos apaixonados!”.

É verdade que existem dificuldades, que existem problemas dos filhos ou do próprio matrimónio, do próprio casal, discussões, brigas... mas o importante é que a carne permaneça uma e superam, superam, superam isso. E este não é somente um sacramento para eles, mas também para a Igreja, como se fosse um sacramento que chama a atenção, que atrai a atenção: “Mas olhem que o amor é possível!”. E o amor é capaz de fazer viver apaixonados toda uma vida: na alegria e na dor, com o problema dos filhos e os próprios problemas... mas ir sempre avante. Na saúde e na doença, mas ir sempre avante. Esta é a beleza. 

O matrimónio feliz não é notícia
O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus e o próprio matrimónio torna-se assim Sua imagem. E é por isso, afirma o Papa, que é tão bonito: “O matrimónio é uma pregação silenciosa a todos os outros, uma pregação de todos os dias”.

É doloroso quando isto não faz notícia: os jornais, os telejornais não vêm isto como notícia. Aquele casal tantos anos juntos.. não é notícia. Sim, a notícia é o escândalo, o divórcio ou que se separam – às vezes devem-se separar, como disse, para evitar um mal maior... Mas a imagem de Deus não é notícia. E esta é a beleza do matrimónio. São a imagem e a semelhança de Deus. E esta é a nossa notícia, a notícia cristã.

Francisco repete que a vida matrimonial e familiar não é fácil, e cita a Primeira Leitura extraída da carta de São Tiago Apóstolo, que fala da paciência. Diz que talvez seja a virtude mais importante no casal – seja do homem, seja da mulher – e conclui com uma oração ao Senhor “para que dê à Igreja e à sociedade uma consciência mais profunda, mais bela do matrimónio, que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimónio há a imagem e a semelhança de Deus”.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco



VATICAN NEWS

Papa à Virgem de Siracusa: que Nossa Senhora nos dê o dom das lágrimas

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Papa reza diante do relicário de Nossa Senhora de Siracusa  (Vatican Media)

A lacrimação da Virgem, a partir de um quadro de gesso, remonta ao mês de agosto de 1953 na cidade siciliana. Em 1994, São João Paulo II consagrou o Santuário que é meta todos os anos de milhões de peregrinos.

Cidade do Vaticano 

A missa do Papa na capela da Casa Santa Marta foi celebrada diante da presença do precioso relicário com as lágrimas de Nossa Senhora de Siracusa.

Francisco pronunciou as seguintes palavras:

Trouxeram de Siracusa a relíquia das lágrimas de Nossa Senhora. Hoje estão aqui, e rezemos a Nossa Senhora para que nos dê, e também à humanidade necessitada, o dom das lágrimas, para que nós possamos chorar: pelos nossos pecados e por tantas calamidades que provocam sofrimento ao povo de Deus e aos filhos de Deus. 

O relicário
A lacrimação da Virgem, a partir de um quadro de gesso, remonta ao mês de agosto de 1953 na cidade siciliana. O quadro estava na casa de dois jovens esposos, cuja mulher tinha uma grave doença e, mesmo assim, levou avante uma gravidez. A partir do momento que a esposa viu Nossa Senhora chorar, a mulher não teve mais problemas e deu à luz uma criança saudável. No relicário estão as lágrimas e os panos utilizados pela comissão científica para verificar a autenticidade das mesmas.

Em 1994, São João Paulo II consagrou o Santuário dedicado à Virgem, que é meta todos os anos de milhões de peregrinos.

Veja a oração do Papa a Nossa Senhora de Siracusa

 
Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco

VATICAN NEWS

24 maio, 2018

Papa: explorar o trabalhador é pecado mortal

 
Papa celebra a missa na Casa Santa Marta  (Vatican Media)
 
Dedicando a missa na Casa Santa Marta ao “nobre povo chinês”, que hoje festeja Nossa Senhora de Sheshan, Francisco exorta a distânciarmo-nos das riquezas que seduzem e escravizam.
 
Giada Aquilino – Cidade do Vaticano

Distsnciarmo-nos das riquezas, porque estas foram-nos oferecidas por Deus para doá-las aos outros. A este tema o Papa Francisco dedicou a missa celebrada na manhã de quinta-feira (24/04) na Casa Santa Marta.

Na memória de Nossa Senhora Auxiliadora, o Pontífice celebrou a missa na intenção do “nobre povo chinês”, que festeja a Virgem de Sheshan em Xangai.

Riqueza apodrecida
O Papa inspirou-se na leitura de São Tiago, apóstolo que fala do salário não pago aos trabalhadores e o seu clamor que chega aos ouvidos do Senhor. Francisco destaca que Tiago usa expressões contundentes para falar aos ricos, sem meias palavras, condenando a “riqueza apodrecida”, como fez Jesus:

“Ai de vós ricos!”, é o primeiro ataque depois das Bem-aventuranças na versão de Lucas. “Ai de vós ricos!”. Se alguém fizer uma pregação assim, no dia seguinte nos jornais aparece: “Aquele padre é comunista!”. Mas a pobreza está no centro do Evangelho. A pregação sobre a pobreza está no centro da pregação de Jesus: “Bem-aventurados os pobres” é a primeira das Bem-aventuranças. E a carteira de identidade com a qual Jesus se apresenta quando volta à sus terra, a Nazaré, na sinagoga, é: “O Espírito está sobre mim, fui enviado para anunciar o Evangelho, a Boa Nova aos pobres, o alegre anúncio aos pobres”. Mas na história  tivemos sempre esta fraqueza de tentar tirar esta pregação sobre a pobreza, acreditando tratar-se de algo social, político. Não! É Evangelho puro, é Evangelho puro.

Dois senhores
Francisco convidou a refletir sobre o porquê de uma pregação assim “tão dura”. A razão está no facto de que “as riquezas são uma idolatria”, são capazes de “seduzir”. O próprio Jesus, explicou o Papa, disse que “não se pode servir a dois senhores: ou serves a Deus ou às riquezas”: dá, portanto, uma “categoria de ‘senhor’ às riquezas, isto é, a riqueza “o pega e não o larga e vai contra o primeiro mandamento”, amar a Deus com todo o coração.

As riquezas vão também contra o segundo mandamento, porque destroem a relação harmoniosa “entre nós homens”, “estragamos a vida”, “estragamos a alma”. O Papa recordou a Parábola do rico - que pensava na “boa vida”, nas festas, nas roupas luxuosas – e do mendicante Lázaro, “que não tinha nada”.

Tiago sindicalista
As riquezas, reiterou, “afastam-nos da harmonia com os irmãos, o amor ao próximo, faz-nos egoístas”. Tiago reivindica o salário dos trabalhadores que cultivaram a terra dos ricos e não foram pagos: “alguém poderia confundir o apóstolo Tiago com um sindicalista”, afirmou Francisco. E na verdade, acrescentou, o apóstolo “fala sob a inspiração do Espírito Santo”. Parece uma coisa dos nossos dias, disse o Papa:

Também aqui, em Itália, para salvar os grandes capitais deixam as pessoas sem trabalho. Vai contra o segundo mandamento e quem faz isto: “Ai de vós!”. Não eu, Jesus. Ai de vós que exploram as pessoas, que exploram o trabalho, que pagam de maneira informal, que não pagam a contribuição para a aposentadoria, que não dão férias. Ai de vós! Fazer “economias”, fraudar o que se deve pagar, o salário, é pecado, é pecado. “Não, padre, eu vou à missa todos os domingos e participo naquela associação católica e sou muito católico e faço a novena disto…”. Mas não pagas? Esta injustiça é pecado mortal. Não estás nas graças de Deus. Não sou eu que digo, é Jesus, é o apóstolo Tiago. Por isso as riquezas afastam-nos do segundo mandamento, do amor ao próximo.

Rezar pelos ricos
As riquezas, portanto, têm uma capacidade que nos tornar “escravos”: por isso Francisco exorta a “fazer um pouco mais de oração e um pouco mais de penitência” não pelos pobres, mas pelos ricos.

Não és livre diante das riquezas. Para seres livre diante das riquezas deves tomar distância e rezar para o Senhor. Se o Senhor te deu riquezas é para distribui-las aos outros, para fazer em seu nome tantas coisas boas para os outros. Mas as riquezas têm esta capacidade de nos seduzir e nesta sedução nós caímos, somos escravos das riquezas.


VATICAN NEWS

XLI Assembleia Nacional do RCC - Programa



"Para que a vossa alegria seja completa" (Jo 15,11)

XIL ASSEMBLEIA NACIONAL
DO
RENOVAMENTO CARISMÁTICO CATÓLICO

Centro Pastoral Paulo VI – Fátima                        31 Agosto, 1 e 2 de Setembro 2018



SEXTA-FEIRA (31 de agosto)

21,15 h – Salão do “Bom Pastor”
- Encontro com as Equipas Diocesanas de Serviço do  RCC, equipas de serviço à Assembleia, responsáveis e membros de Comunidades Carismáticas, alargado aos irmãos que queiram estar presentes, limitado à lotação da sala.

SÁBADO (1 de setembro)

09,00 h – Acolhimento/Animação/Oração da manhã
10,00 h – “Jesus, Filho de Deus, Fonte de Alegria e Paz!”
11,00 h – Intervalo
11,30 h – Eucaristia
13,00 h – Almoço
15,00 h – Animação
15,15 h – Ateliê
                Família e Juventude
              – Grupo de oração e pregação e ensinamento, alma do RCC
17,15 h – Grupos de partilha
19,30 h – Jantar
21,15 h – Animação
21,30 h – Ateliê
              – A vida oração/oração/intercessão
22,15 h – Adoração ao Santíssimo Sacramento e oração de cura e libertação.

DOMINGO (2 de setembro)

09,00 h – Animação
09,15 h – Laudes
09,45 h – “Espírito Santo, plenificador dos dons, numa Igreja que é casa de Alegria e Paz!”
11,00 h – Intervalo
11,00 h – Eucaristia de encerramento

                           Este programa pode ser alterado por motivos imprevistos


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Orador da Assembleia Nacional 2018 

Oreste Pesare - Diretor Executivo

Oreste nasceu em Foggia em 1960. Casou-se com Nunzia em 1988, com quem tem três filhos: Giovanni, Serena e Andréa. Conheceu o Renovamento Carismática em 1984 através de uma forte experiência espiritual com Deus, que mudou completamente a sua vida. Seguindo a orientação do Senhor e com o apoio da Comunidade Magnífica – uma Comunidade Italiana de Aliança da qual Oreste é Presidente há muitos anos – ele decidiu deixar o seu trabalho em 1991 a fim de se dedicar a tempo inteiro ao Senhor, voluntariamente. Durante três anos, enquanto passou a maior parte do seu tempo, a pregar, Oreste e a sua família experimentaram o poder extraordinário da Providência, testemunhando maravilhas inumeráveis de todo o tipo, milagres pequenos e grandes. Em 1993, foi chamado pelo Arcebispo de Foggia para assisti-lo como seu secretário pessoal por aproximadamente três anos. A experiência de servir de forma tão próxima de um Apóstolo da Igreja foi para ele de uma riqueza extraordinária, dando-lhe um amor muito grande pela Igreja. É Diretor Executivo dos Serviços Internacionais do Renovamento Carismática Católica (ICCRS) desde 1996. O ICCRS é uma organização internacional com direitos pontifícios ao serviço de todas as realidades Carismáticas da Igreja Católica. O escritório da ICCRS está localizado na Cidade do Vaticano. Oreste é também um dos líderes da Comunidade Magnificat, e o editor de "Venite e Vedrete" ("Vem e vê"), uma revista Italiana que serve Comunidades Carismáticas de Aliança. É o autor de muitos artigos sobre temas Carismáticos, bem como de livretes e documentos sobre o Renovamento Carismática. Ele é um pregador conhecido dentro do Renovamento Carismática Católica em todo o mundo e viaja em missão para todos os continentes.
Fonte: ESD - RCC-Lisboa