17 novembro, 2017

Papa: doente nunca deve ser abandonado, não à eutanásia




(RV) Com a consciência dos sucessos alcançados pela medicina no campo terapêutico e do quanto “as intervenções no corpo humano se tornam sempre mais eficazes, mas nem sempre resolutivas”, o Papa Francisco destaca a necessidade de “um suplemento de sabedoria, porque hoje é mais insidiosa a tentação de insistir com tratamentos que produzem efeitos poderosos sobre o corpo, mas sem visar o bem integral da pessoa”.

Na carta endereçada a Dom Vincenzo Paglia e aos participantes do Encontro Regional Europeu da World Medical Association, e citando a Declaração sobre a eutanásia de 5 de maio de 1980, o Santo Padre recorda o quanto seja “moralmente lícito renunciar à aplicação de meios terapêuticos, ou suspendê-los, quando o seu emprego não corresponde àquele critério ético e humanista que será mais tarde após definido “proporcionalidade dos tratamentos”.

Uma escolha – prossegue o Papa – que assume responsavelmente o limite da condição humana mortal, no momento em que reconhece não mais poder contrastá-lo”, “sem abrir justificativas à supressão do viver”.

Uma acção, portanto, “que tem um significado ético completamente diferente da eutanásia, que permanece sempre ilícita, enquanto se propõe interromper a vida, buscando a morte”.

Para um atento discernimento – explica de fato Francisco – três são os aspectos a serem considerados:

“O objecto moral, as circunstâncias e as intenções dos sujeitos envolvidos. A dimensão pessoal e relacional da vida – e do próprio morrer, que é sempre um momento extremo do viver – deve ter, no cuidado e no acompanhamento do doente, um espaço adequado à dignidade de ser humano.

Neste percurso – sublinha Francisco – “a pessoa doente assume o papel principal. Diz isto com clareza o Catecismo da Igreja Católica: “As decisões devem ser tomadas pelo paciente, se tem para isto a competência e a capacidade”. É antes de tudo ele que tem título, obviamente em diálogo com os médicos, de avaliar os tratamentos que lhe são propostos e julgar a sua efectiva proporcionalidade na situação concreta, tornando desejável renunciar a eles se tal proporcionalidade fosse reconhecida como ausente”.

O Papa não esconde a dificuldade da avaliação, sobretudo se consideradas as múltiplas mediações” às quais é chamado o médico: “exigidas pelo contexto tecnológico e organizativo”.

Outra preocupação do Pontífice é a desigualdade terapêutica “presente também dentro dos países mais ricos, onde o acesso aos tratamentos corre o risco de depender mais da disponibilidade económica das pessoas do que das efectivas exigências de tratamentos”.

Disto, a necessidade de ter “em absoluta evidência o mandamento supremo da proximidade responsável” com “o imperativo categórico” “de nunca abandonar o doente”, porque – explica ainda Francisco – a relação “é o lugar em que nos é pedido amor e proximidade, mais do que qualquer outra coisa, reconhecendo o limite que nos une a todos e justamente nisto tornando-nos solidários. Cada um dê amor na forma que lhe é própria (…), mas que o dê!”.

Neste contexto de amor, com a consciência de que não se pode sempre garantir a cura e não se deve voltar inutilmente contra a morte, “se movimenta a medicina paliativa” que “assume uma grande importância também no plano cultural, empenhando-se em combater tudo aquilo que torna o morrer mais angustiante e sofrido, ou seja, a dor e a solidão”.

O Santo Padre não deixa de dirigir a atenção aos mais vulneráveis “que não podem fazer valer sozinhos os próprios interesses” e, sem esquecer “a diversidade das visões de mundo, das convicções éticas e das pertenças religiosas, em um clima de recíproca escuta e acolhida”, sublinhando que “o Estado não pode renunciar a tutelar todos os sujeitos envolvidos, defendendo a fundamental igualdade pela qual cada um é reconhecido pelo direito, como ser humano que vive com os outros em sociedade”.

Eis porque – conclui Francisco – “também a legislação no campo médico e sanitário exige” um “olhar abrangente” para que se promova “o bem comum nas situações concretas” e “em vista do bem de todos”. (BS/JE/EC)

Papa: pensar na morte faz bem, será encontro com o Senhor




(RV) Reflectir sobre o fim do mundo e também sobre o fim de cada um de nós: é o convite que a Igreja nos faz através do trecho evangélico de Lucas, comentado pelo Papa na homilia da missa matutina, na Casa Santa Marta.

O trecho narra a vida normal dos homens e mulheres antes do dilúvio universal e nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, se casavam... mas depois, como um trovão, chega o dia da manifestação do Filho do homem... e as coisas mudam.

A Igreja, que é mãe – diz o Papa na homilia – quer que cada um de nós pense em sua própria morte. Todos nós estamos acostumados à normalidade da vida: horários, compromissos, trabalho, momentos de descanso... e pensamos que será sempre assim. Mas um dia, prossegue Francisco, Jesus chamará e nos dirá: ‘Vem!’ Para alguns, este chamado será repentino, para outros, virá depois de uma longa doença; não sabemos.

No entanto, repete o Papa, “O chamado virá!”. E será uma surpresa, mas depois, virá ainda outra surpresa do Senhor: a vida eterna. Por isso, “a Igreja nestes dias nos diz: pare um pouco, pare e pense na morte”. O Papa Francisco descreve o que acontece normalmente: até participar do velório ou ir ao cemitério se torna um evento social. Vai-se, fala-se com os outros e em alguns casos, até se come e se bebe: “É uma reunião a mais, para não pensar”.

“E hoje a Igreja, hoje o Senhor, com aquela bondade que é sua, diz a cada um de nós: ‘Pare, pare, nem todos os dias serão assim. Não se acostume como se esta fosse a eternidade. Haverá um dia em que você será levado e o outro ficará, você será levado’. É ir com o Senhor, pensar que a nossa vida terá fim. Isto faz bem”.

Isto faz bem – explica o Papa – diante do início de um novo dia de trabalho, por exemplo, podemos pensar: ‘Hoje talvez será o último dia, não sei, mas farei bem meu trabalho’. E o mesmo nas relações de família ou quando vamos ao médico.

“Pensar na morte não é uma fantasia ruim, é uma realidade. Se é feia ou não feia, depende de mim, como eu a penso, mas que ela chegará, chegará. E ali será o encontro com o Senhor, esta será a beleza da morte, será o encontro com o Senhor, será Ele a vir ao seu encontro, será Ele a dizer: “Vem, vem, abençoado do meu Pai, vem comigo”.

E ao chamado do Senhor não haverá mais tempo para resolver nossas coisas. Francisco relata o que um sacerdote lhe disse recentemente:

“Dias atrás encontrei um sacerdote, 65 anos mais ou menos, e ele tinha algo que não estava bem, ele não se sentia bem ... Ele foi ao médico que lhe disse: “Mas olhe - isso depois da visita – o senhor tem isso, e isso é algo ruim, mas talvez tenhamos tempo para detê-lo, nós faremos isso, se não parar, faremos isso e, se não parar, começaremos a caminhar e eu vou acompanhá-lo até o fim”. “Muito bom aquele médico”.

Assim também nós, exorta o Papa, vamos nos fazer acompanhar nesta estrada, façamos de tudo, mas sempre olhando para lá, para o dia em que “o Senhor virá me buscar para ir com Ele”. (BS-CM-SP)

16 novembro, 2017

Papa: é o Espírito que faz crescer o reino de Deus, não os planos pastorais




(RV) O reino de Deus não é um espectáculo nem um carnaval, “não ama a propaganda”: é o Espirito Santo que o faz crescer, não “os planos pastorais”. Foi o que disse o Papa na missa da manhã de quinta-feira (16/11) na capela da Casa Santa Marta, comentando o Evangelho do dia (Lc 17,20-25).

Francisco se deteve na pergunta que os fariseus fazem a Jesus: “quando virá o reino de Deus?”. Uma pergunta simples, que nasce de um coração bom e aparece tantas vezes no Evangelho. João Baptista, por exemplo, quando estava na prisão, angustiado, pede aos seus discípulos que perguntem a Jesus se é ele mesmo que deve vir ou se devem esperar outra pessoa. Outras vezes, a pergunta foi feita “sem rodeios”, “se és tu, desce da cruz”. “Há sempre a dúvida”, a “curiosidade” de quando virá o Reino de Deus, disse o Papa.

“O reino de Deus está no meio de vós”: é a resposta de Jesus. Assim como a semente que, semeada, cresce a partir de dentro, também o reino de Deus cresce “escondido” e no meio “de nós” – reiterou o Pontífice – ou se encontra escondido como “pedra preciosa ou o tesouro”, mas “sempre na humildade”.

“Mas quem faz crescer aquela semente, quem faz germinar? Deus, o Espírito Santo que está em nós. E o Espírito Santo é espírito de mansidão, espírito de humildade, é espírito de obediência, espírito de simplicidade. É ele que faz crescer dentro o reino de Deus, não são os planos pastorais, as grandes coisas... Não, é o Espírito, escondido. Faz crescer, chega o momento e aparece o fruto”.

No caso do Bom Ladrão, o Papa se pergunta quem fez semear a semente do reino de Deus no seu coração: talvez a mãe, faz uma hipótese – ou talvez um rabino quando lhe explicava a lei. Depois, talvez, se esquece, mas a um certo momento “escondido”, o Espírito a faz crescer.

Por isso, Francisco repete que o reino de Deus é sempre “uma surpresa”, porque é “um dom que o Senhor dá”. Jesus explica também que “o reino de Deus não vem para chamar a atenção e ninguém dirá: ‘Ei-lo aqui, ei-lo lá’”. “Não é um espectáculo ou pior ainda – mas às vezes se pensa assim – “um carnaval”, reitera o Papa.

“O reino de Deus não se mostra com a soberba, com o orgulho, não ama a propaganda: é humilde, escondido e assim cresce. Penso que quando as pessoas olhavam Nossa Senhora, ali, que seguia Jesus: ‘Aquela é a mãe, ah…’. A mulher mais santa, mas escondida, ninguém conhecia o mistério do reino de Deus, a santidade do reino de Deus. E quando estava perto da cruz do filho, as pessoas diziam: ‘Mas pobre mulher com este criminoso como filho, pobre mulher …’. Nada, ninguém sabia”.

O reino de Deus, portanto, cresce sempre escondido, porque “o Espírito Santo está dentro de nós” – recordou o Papa – que “o faz germinar até dar o fruto”.

“Nós todos somos chamados a fazer esta estrada do reino de Deus: é uma vocação, é uma graça, é um dom, é gratuito, não se compra, é uma graça que Deus nos dá. E nós todos baptizados temos dentro o Espírito Santo. Como é a minha relação com o Espírito Santo, que faz crescer em mim o reino de Deus? Uma bela pergunta para todos nós fazermos hoje: eu acredito, acredito realmente que o reino de Deus está no meio de nós, está escondido ou gosto mais do espectáculo?”.

Francisco conclui exortando a pedir ao Espírito Santo a graça de fazer germinar “em nós e na Igreja, com força, a semente do reino de Deus para que se torne grande, dê refúgio a tantas pessoas e dê frutos de santidade”.

Papa Francisco: a Igreja tem tanta necessidade de comunhão




(RV) O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (16/1), na Sala do Consistório, no Vaticano, setenta participantes da assembleia da Confederação Internacional da União Apostólica do Clero.

Ao saudar os membros desse organismo, o Papa cumprimentou também os representantes, ali presentes, da União Apostólica dos Leigos.

A assembleia da Confederação Internacional da União Apostólica do Clero focaliza-se no papel dos pastores na Igreja particular. Nessa releitura, a chave hermenêutica é a espiritualidade diocesana que é espiritualidade de comunhão, segundo a comunhão Trinitária.

"Hoje temos tanta necessidade de comunhão, na Igreja e no mundo" – disse o Papa Francisco aos participantes na Assembleia Internacional da Confederação da União Apostólica do Clero, que está a reflectir sobre o papel dos pastores na Igreja particular.

"A espiritualidade diocesana" – sublinhou Francisco - é espiritualidade de comunhão a exemplo da comunhão Trinitária”. E como dizia São João Paulo II, o grande desafio do século XXI é "fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão", promovendo "uma espiritualidade da comunhão". Isto é possível graças à "conversão a Cristo, à dócil abertura à acção do Seu Espírito e ao acolhimento dos irmãos". Ou seja, devemos fazer-nos santos:

"Hoje, como no passado, são os santos que são os evangelizadores mais eficazes, e todos os baptizados são chamados a lutar pela alta medida da vida cristã, isto é, à santidade. Com maior razão, isto diz respeito aos ministros ordenados. Penso na mundanidade, na tentação da mundanidade espiritual, tantas vezes escondida na rigidez: uma chama a outra, são "irmãs", uma chama a outra”.

Os pastores – reitera fortemente o Papa - são chamados a usar "o avental do serviço", inclinar-se "sobre a vida das próprias comunidades, compreender a sua história e a viver as alegrias e tristezas, as expectativas e esperanças" do povo de Deus É fundamental que os sacerdotes cultivem "relações fraternas recíprocas" participando no "caminho pastoral da sua Igreja diocesana, nos seus compromissos, nos projectos e nas iniciativas que traduzem operativamente as linhas programáticas" em unidade com o bispo. Ponto de referência "imprescindível" é o plano pastoral da diocese, que "deve ser antecipado aos programas das associações, dos movimentos e de qualquer grupo particular”.

"E esta unidade pastoral, de todos à volta do bispo, trará unidade na Igreja. E é muito triste quando num presbitério encontramos que esta unidade não existe, é aparente. E lá dominam as bisbilhotices, bisbilhotices que destroem a diocese, destroem a unidade dos presbíteros, entre eles e o bispo. Irmãos sacerdotes, peço-vos, por favor: sempre vemos coisas feias nos outros, sempre - porque as cataratas a este olho não vêm - os olhos estão prontos para ver as coisas feias, mas peço-vos a que não chegueis às bisbilhotices. Se eu vejo coisas feias, rezo ou, como um irmão, falo. Não faço como o "terrorista", porque as bisbilhotices são terrorismo. As bisbilhotices são como lançar uma bomba: eu destruo o outro e vou-me embora tranquilo. Por favor, nada de bisbilhotices, são como a traça que come o tecido da Igreja, da Igreja diocesana, da unidade entre todos nós”.

Finalmente, o Papa convida a ter "um respiro maior que leve a ser atentos à vida de toda a Igreja": o serviço à própria Igreja particular deve ser realizado "na docilidade ao Espírito Santo e ao próprio Bispo e em colaboração com os outros presbíteros, mas com a consciência de ser parte da Igreja universal, que ultrapassa os limites da própria diocese e do próprio País". Assim, o sacerdote é chamado a "ser educador da ‘mundialidade’,  mas não da mundanidade":

"A Missão, de facto, não é uma escolha individual, devida à generosidade individual ou talvez a delírios pastorais, mas é uma escolha da Igreja particular que se torna protagonista na comunicação do Evangelho a todas as pessoas”. (BS/MJ)

15 novembro, 2017

DIÁLOGOS COM O MEU EU (21)

 
 
 Sentes-te incapaz, sem saber o que escrever ou pensar?
É verdade, sinto-me assim, sem perceber porquê.

Estás mal habituado, sabes?
Porquê?

Porque normalmente, pegas na escrita ou no pensamento e tudo te sai bem, sem grande esforço.
Pois é. E agora não, porquê?

Porque Ele te quer à Sua procura, com mais empenho, mais dedicação, mais amor, para que nada tomes como garantido.
Parece-me um momento de afastamento. Será que Ele se afasta de mim?

Não, Ele nunca se afasta de ti, como nunca se afasta do homem. Apenas quer que O procures, que Lhe abras a porta e que não O consideres hóspede de ti, mas sim a maior parte de ti, sem a qual não podes viver.
Tens razão! Vou estender-Lhe a mão e como Pedro vou gritar: «Salva-me, Senhor!»*
Salva-me de mim!


* Mt 14, 30

Monte Real, 15 de Novembro de 2017
Joaquim Mexia Alves
 
Série constante na faixa lateral, em "Pesquisa rápida" -  "DIÁLOGOS COM O MEU EU"
 
.

A Missa é a oração por excelência - Papa na audiência geral


(RV)A fé é uma grande companheira de vida: faz sentir a presença de um Pai que nunca deixa suas criaturas sozinhas”. Mensagem tweet do Papa nesta quarta-feira de manhã, antes da audiência geral da semana na Praça de São Pedro. Audiência em que continuou a catequese iniciada a semana passada sobre a Santa Missa. Para facilitar a compreensão, Francisco iniciou dizendo que “a Missa é uma oração, aliás, a oração por excelência, a mais alta, a mais sublime e, ao mesmo tempo, a mais “concreta”. Com efeito, é o encontro de amor com Deus mediante a sua Palavra e o Corpo e Sangue de Jesus. É um encontro com o Senhor”.
 
Mas o que é exactamente uma oração? – perguntou o Papa que logo respondeu: “é antes de mais diálogo, relação pessoal com Deus. E o homem foi criado como um ser em relação pessoal com Deus que encontra a sua plena realização só no encontro com o seu Criador. O caminho da vida é em direcção ao encontro definitivo com o Senhor”. E todos, como recorda o Livro do Génesis, fomos criados para entrar numa relação perfeita de amor para podermos encontrar a plenitude do nosso ser.  Para isso, é necessário que vivamos em comunhão com o nosso Criador e com as pessoas que nos circundam. E, é na Eucaristia, na Missa, que isso se realiza.

O diálogo tem, todavia  momentos de silêncio – disse Francisco, fazendo notar que às vezes vamos mais cedo à Missa e dedicamos esse tempo à conversa com outras pessoas, quando na realidade deveria ser um momento de preparação para o diálogo com Jesus.
O silêncio é muito importante! Recordai-vos aquilo que disse a semana passada: não vamos a um espectáculo, vamos ao encontro com o Senhor e o silêncio nos prepara e nos acompanha. Permanecer em silêncio com Jesus”.

Outro requesito para a oração – prosseguiu o Papa – é saber dizer “Pai”. Tal como Jesus ensinou aos discípulos, devemos aprender a dizer “Pai”, isto é a pôr-se na presença do Pai com confiança filial.  E dizer “Pai ensina-me a rezar”. Isto requer humildade, reconhecer-se como filhos, confiar em Deus, fazer-se pequenos como as crianças.

A primeira atitude é, portanto, confiança e confidencia, tal como as crianças com os pais. É “saber que Deus se recorda de ti, cuida de ti, de ti, de mim, de todos”.   

Outro aspecto essecial para a oração é, tal como as crianças, “deixar-se surpreender”. A oração não é falar com Deus à maneira dos papagaios. É confiar e abrir o coração  para se deixar maravilhar, surpreender por Deus que é sempre encontro vivo, não um encontro de museu. É um encontro vivo e vamos à Missa, não a um Museu. Vamos ao encontro vivo com o Senhor”.

Francisco citou depois Nicodemos para falar do desejo de renascer, a alegria de recomeçar, que existe em cada um de nós. Mas como fazê-lo perante as tantas tragédias do mundo. Esta é a pergunta fundamental da nossa fé – frisou o Papa que perguntou insistentemente aos presentes se sentem o desejo de renascer sempre para encontro o Senhor. É que perante as numerosas actividades e projectos podemos  não ter tempo e perder facilmente de vista para aquilo que é fundamental:

 “a nossa vida do coração, a nossa vida espiritual, a nossa vida que é encontro com o Senhor na oração.”

Mas o Senhor nos surpreende sempre com o seu amor. Ele é a vítima de expiação dos nossos pecados pessoais e do mundo inteiro. O Senhor nos perdoa sempre, e isto é uma verdadeira consolação, um dom que nos é dado através da Eucaristia, o banquete nupcial em que o Esposo encontra a nossa fragilidade. E o Papa concluiu a sua catequese com estas palavras:

Posso dizer que quando faço a comunhão na Missa, o Senhor encontra a minha minha fragilidade? Sim! Podemos dizê-lo porque isto é verdade! O Senhor encontra a nossa fragilidade para a reconduzir à nossa chamada: a de ser à imagem e semelhança de Deus. Este é o ambiente da Eucaristia, esta é a oração.”

No final da catequese, como habitualmente o Papa saudou os peregrinos em diversas linguas. Eis a saudação em lingua portuguesa:

Dirijo uma saudação cordial a todos os peregrinos de língua portuguesa, vindos de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, sois chamados a ser testemunhas da alegria no mundo, transfigurados pela graça misericordiosa que Jesus nos dá na Santa Missa. Desça sobre vós e sobre vossas famílias a bênção de Deus”.
**
Na saudações aos diversos grupos de lingua italiana presentes na Praça, o Papa dirigiu-se de modo particular aos jovens, doentes e recém-casados. Recordou antes de mais que hoje a Igreja celebra a Memória de Santo Alberto Magno, Bispo e Doutor da Igreja. Aos “caros jovens” exortou a reforçarem o seu dialogo com Deus, procurando-O com empenho em todas as “vossas acções”.

Aos “caros doentes” Francisco  exortou a encontrarem conforto no reflexo do mistério da cruz do Senhor Jesus, que continua a iluminar a vida de cada homem; E aos “caros novos casais”, o Papa recomendou que se esforcem por manter constante a relação com Cristo, a fim de que “o vosso amor seja cada vez mais reflexo do amor de Deus.”

(DA)

14 novembro, 2017

Publicado programa da Viagem apostólica do Papa ao Chile e Peru



(RV) A viagem do Papa Francisco ao Chile e Peru, de 15 a 22 de janeiro de 2018, já tem um programa detalhado, e foi divulgado nesta segunda-feira (13/11) pelo Vaticano.

Actividades começam no dia 16 em Santiago

De Roma, o Papa voa directo, dia 15 para Santiago, no Chile, onde chega à noite. Terça-feira, pela manhã, está marcado o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático no Palácio de La Moneda, onde está previsto o primeiro pronunciamento do Papa. A seguir, haverá um encontro de cortesia com o presidente, no Salão Azul do Palácio.

Ainda no mesmo dia, o Francisco presidirá a missa no Parque O’Higgins e fará uma breve visita ao Centro Penitenciário Feminino Santiago. Ele fará uma saudação aos presentes.

Depois o Papa irá à Catedral de Santiago para o encontro com sacerdotes, religiosos, consagrados e seminaristas. Na sacristia, sucessivamente, o Papa se reunirá com os bispos. A programação do dia 16 se encerra com uma visita ao Santuário de San Alberto Hurtado e um encontro a portas fechadas com os sacerdotes da Companhia de Jesus.

Quarta-feira, 17 de janeiro: Temuco

No dia seguinte, quarta-feira, 17, Francisco parte do aeroporto de Santiago e depois de 1h30 de voo, chega a Temuco, onde presidirá a Santa Missa no aeroporto de Maquehue e almoçará com moradores de Aracaunia na casa Madre de la Santa Cruz.

Na volta a Santiago, os jovens o esperam no Santuário de Maipu e enfim, fechando o dia, irá à Pontifícia Universidade Católica do Chile, último compromisso na capital chilena.

Quinta-feira, 18 de janeiro: Iquique

A terceira e última cidade visitada pelo Papa no Chile será Iquique. Ali, no dia 18, preside uma missa no Campus Lobito. Em seguida almoça na casa de retiros dos padres oblatos no Santuário Nossa Senhora de Lourdes. Após a cerimónia de despedida, o Papa segue às 17h para a segunda etapa de sua viagem apostólica: Lima, capital do Peru.

Chegando ao aeroporto, o protocolo prevê a tradicional cerimónia de boas-vindas, que encerra o programa oficial do dia.

No Peru, 19 de janeiro, de Lima para Puerto Maldonado

Sexta-feira, 19, o dia começa bem cedo, com o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, seguido da visita de cortesia ao presidente do país. Às 10h, depois de 2 horas de voo, um dos eventos mais aguardados da viagem: o encontro no Coliseu Regional Madre de Dios com os povos da Amazónia, na cidade fronteiriça de Puerto Maldonado e com a população local, além de uma visita à casa infantil Principito. Retornando a Lima, Francisco terá um encontro privado com os membros da Companhia de Jesus na Igreja de São Pedro, último compromisso do dia.

Sábado, 20 de janeiro: Trujillo

Sábado, 20 de janeiro, Francisco faz outro voo, de 1h30, até a cidade de Trujillo, onde preside a missa na esplanada costeira de Huanchaco, faz uma volta em papamóvel pelo bairro “Buenos Aires” e visita a Catedral. Estão previstos ainda um encontro com os sacerdotes, religiosos e seminaristas no Colégio Seminário SS. Carlos y Marcelo e uma celebração mariana na Praça das Armas, antes de retornar para a capital.

Domingo, 21 de janeiro: Lima

Domingo,21, último dia da viagem, o Papa rezará a oração da Hora Média com religiosas de vida contemplativa no Santuário do Senhor dos Milagres na catedral de Lima, fará uma oração junto às relíquias dos santos peruanos. No final da manhã terá um encontro com os bispos no Palácio Arquiepiscopal e rezará o Angelus na Praça das Armas. O almoço com a comitiva será na Nunciatura.

À tarde, a última missa do Papa no Peru, na Base Aérea “Las Palmas”, de onde segue para o aeroporto e parte para Roma. A chegada está prevista para segunda-feira, 22 de janeiro, no aeroporto romano de Ciampino.

Papa: a 23 de novembro oração pela paz no Sudão do Sul e Congo

 

(RV) O Papa Francisco, na quinta-feira dia 23 de novembro, às 17.30 horas, no Altar da Cátedra da Basílica Vaticana, presidirá a uma celebração de oração pela paz no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo, informa a Prefeitura da Casa Pontifícia. O evento está aberto a todos, sem necessidade de bilhetes.

São numerosos os apelos que Francisco lançou para estes dois Países durante o seu pontificado. Recentemente, no prefácio de um livro do Padre Comboniano Daniele Moschetti sobre o Sudão do Sul, o Papa escreve: "Sinto a necessidade de sensibilizar a comunidade internacional sobre um drama silencioso, que precisa do empenho de todos para chegar a uma solução que ponha fim ao conflito em curso. Desinteressar-se dos problemas da humanidade, sobretudo num contexto como o que aflige o Sudão do Sul, significaria de facto, esquecer a lição do Evangelho sobre o amor ao próximo sofredor e necessitado". Exactamente nestes dias, a FAO anunciou que cerca de 30 mil pessoas no Sudão do Sul, que sofrem de fome, poderão sobreviver graças aos kits para a cultura hortofrutícola financiados por uma doação do Papa Francisco.

Em fevereiro passado, no Angelus, o Papa havia lançado um apelo de paz para a República Democrática do Congo, a braços com a violência. Um convite a ser artesãos de "comunhão" e "fraternidade" na vida quotidiana e na família, praticando "a paciência, o diálogo, o perdão". O Papa sente "forte" a dor pelas vítimas, especialmente pela "tragédia" das muitas crianças "arrancados às famílias e à escola” para serem “usados como soldados". Ele assegura a sua proximidade e oração, também para o pessoal religioso e humanitário que trabalha naquela que ele define uma região "difícil”:

"Renovo um vigoroso apelo à consciência e à responsabilidade das autoridades nacionais e da comunidade internacional, para que sejam tomadas decisões adequadas e tempestivas para socorrer estes nossos irmãos e irmãs. Rezemos por eles e por todas as populações que também em outras partes do Continente africano e do mundo sofrem por causa da violência e da guerra”. (BS)

13 novembro, 2017

Papa em S. Marta: escândalos ferem e matam corações e esperanças




(RV) “Escândalos que ferem os corações e matam esperanças e ilusões”, palavras proferidas pelo Papa Francisco na missa matutina celebrada, nesta segunda-feira (13/11), na Capela da Casa Santa Marta.

“É inevitável que aconteçam escândalos”, recordou o Pontífice, retomando as palavras de Jesus no Evangelho do dia, “mas ai daquele que produz escândalos!”. E Jesus adverte os seus discípulos: “Prestem atenção em vocês mesmos!”.

“Ou seja, fiquem atentos a não escandalizar. O escândalo é feio porque o escândalo fere, fere a vulnerabilidade do povo de Deus, fere a fragilidade do povo de Deus e muitas vezes essas feridas são carregadas pro toda a vida. Não somente fere, o escândalo é capaz de matar: matar esperanças, matar ilusões, matar famílias, matar muitos corações.”

“Prestem atenção em vocês mesmos” é uma advertência a todos, sublinhou Francisco, especialmente a quem se diz cristão, mas vive como pagão. Este é “o escândalo do povo de Deus”.

“Muitos cristãos com o seu exemplo distanciam as pessoas, com a sua incoerência, com a própria incoerência: a incoerência dos cristãos é uma das armas mais fáceis que o diabo tem para enfraquecer o povo de Deus e distanciar o povo de Deus do Senhor. Dizer uma coisa e fazer outra.”

Esta é a “incoerência” que faz escândalo, que deve hoje nos fazer perguntar – disse o Papa -: “como é a minha coerência de vida? Coerência com o Evangelho, Coerência com o Senhor?” Francisco citou como exemplo os empreendedores cristãos que não pagam os salários justos e se servem das pessoas para se enriquecerem e também o escândalo dos pastores na Igreja que não cuidam das ovelhas e se afastam.

“Jesus nos diz que não se pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro, e quando o pastor é alguém apegado ao dinheiro, escandaliza. E as pessoas se escandalizam: o pastor apegado ao dinheiro. Todo pastor deve se perguntar: como é minha amizade com o dinheiro? Ou o pastor que procura subir, a vaidade o leva a escalar, em vez de ser gentil, humilde, porque a gentileza e a humildade favorecem a proximidade com as pessoas. Ou o pastor que se sente senhor e comanda todos, orgulhoso, e não o pastor servidor do povo de Deus”…

“Hoje pode ser - concluiu Francisco a sua homilia - um bom dia para fazer um exame consciência sobre isso: escandalizo ou não, e como? E assim poderemos responder ao Senhor e nos aproximarmos um pouco mais d’Ele”. (BS-MJ-SP)

12 novembro, 2017

Papa: estarmos sempre prontos para o encontro com o Senhor


(RV) O Papa Francisco presidiu hoje, domingo, 12 de Novembro de 2017, às 12 horas locais de Roma, a habitual cerimónia mariana do Ângelus na Praça S. Pedro, hoje repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo.

Comentando a página do Evangelho (Mt 25, 1-13), deste domingo, trigésimo segundo do tempo comum, Francisco disse que ela, mediante a parábola das dez virgens, indica-nos a condição para entrar no Reino dos céus. As dez virgens, sublinhou o Santo Padre, eram de facto aquelas moças cuja principal tarefa naquela época, era acolher e acompanhar os esposos para a cerimónia do matrimónio, que era realizado durante a noite. Razão pela qual, elas estavam sempre munidas de uma lâmpada.

Ora, acrescentou o Pontífice, a parábola nos diz que cinco destas moças virgens eram sábias e prudentes, enquanto as outras cinco eram simplesmente insensatas. A prova de tudo isso, é o facto que as moças sensatas levaram consigo o óleo, o azeite, para as lâmpadas, enquanto que as insensatas não levaram nada consigo. O esposo demora a chegar e todas elas, seja as insensatas como também as sensatas, adormecem. À meia noite é anunciada a chegada do esposo é só naquele preciso momento é que as moças insensatas deram-se na conta de não terem levado consigo o óleo, o azeite para as lâmpadas, vão então ter com as suas colegas sensatas e lhes dizem:  “dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se”. Mas as sensatas responderam: “Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo aos vendedores”. Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo: as que estavam preparadas, isto é, as virgens sensatas, entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. As outras virgens insensatas chegaram muito tarde e disseram: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta”. Mas  ele respondeu-lhes: “em verdade vos digo: não vos conheço”. Foi assim que elas ficaram então fora.

O que é que Jesus nos quer ensinar com esta parábola? Recorda-nos que devemos estar prontos para o encontro com Ele. Muitas vezes no Evangelho, Jesus exorta-nos à vigilância e o faz também no fim da narração desta página evangélica: “Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora”. Mas com esta parábola nos diz também que vigiar que não significa somente não adormecer, mas estar preparados; de facto todas as virgens adormeceram antes da chegada do esposo, mas ao acordarem, algumas delas estavam prontas e outras não. Aqui está precisamente o significado do ser sábio, sensato e prudente: trata-se de não esperar o último momento da nossa vida para colaborar com a graça de Deus, mas de fazê-lo já a partir de agora. Quanto seria bom pensarmos o nosso dia como se fosse o último da nossa existência terrena.

A lâmpada, sublinhou Francisco, é o símbolo da fé que ilumina a nossa vida, enquanto que o óleo, o azeite, é o símbolo da caridade que alimenta, torna fecunda e credível a luz da fé. Daí que, acrescentou o Papa, a condição para estarmos prontos ao encontro com o Senhor, não é somente ter a fé, mas termos também uma vida cristã rica de amor para com o próximo.
Se nos deixarmos guiar por aquilo que nos parece mais cómodo, pela procura dos nossos interesses, a nossa vida torna-se estéril, incapaz de dar vida aos outros e não acumulamos nenhuma quantia de azeite para a lâmpada da nossa fé e ela se apagará no preciso momento da vinda do Senhor ou então muito antes até. Se pelo contrário somos vigilantes e procuramos fazer o bem mediante gestos de amor, de partilha, de serviço ao próximo em dificuldade, podemos estar tranquilos enquanto esperamos a vinda do esposo: o Senhor poderá vir em qualquer momento e também o sono da morte não nos espantará, porque temos connosco, a reserva do azeite, acumulado mediante as boas obras quotidianas. A fé inspira a caridade e a caridade cura a fé.

Que a virgem Maria, concluiu dizendo Francisco, nos ajude a tornar a nossa fé sempre mais operosa por meio da caridade, para que a nossa lâmpada possa resplandecer já aqui, no caminho terreno e depois para sempre, durante a festa das núpcias, no paraíso.

Após a recitação da oração mariana do Ângelus, o Santo Padre informou aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro que, disse, “ontem, sábado, (11 de Novembro), na capital espanhola, Madrid,  foram proclamados beatos Vicente Queralt LLoret e vinte companheiros mártires, e José Maria Fernández Sánchez juntamente aos trinta oito companheiros mártires. Os novos Beatos, acrescentou o Papa, eram, alguns, membros da Congregação da Missão: alguns eram sacerdotes, religiosos e outros eram eram leigos pertencentes à Associação da Medalha Milagrosa. Todos eles, recordou o Papa, foram assassinados por ódio à fé durante a perseguição religiosa do período da guerra civil espanhola, entre 1936 e 1937. Demos graças a Deus, pelo grande dom destes testemunhos exemplares de Cristo e do Evangelho, disse o Santo Padre.

Finalmente, Francisco saudou todos os presentes: famílias, paróquias, associações e féis provenientes de diversas partes da Itália e do mundo para assistir à oração Mariana do Ângelus deste domingo na Praça de S. Pedro. A todos, augurou um bom domingo e pediu que por favor não se esqueçam de rezar por ele. Bom almoço e até próxima, disse.